Para a Rede de Apoio, com carinho! 

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Foto: Acervo pessoal

A mãe é o primeiro ambiente do bebê, é por ela que ele descobre o mundo e o amor, é por esse vínculo que acontece o desenvolvimento emocional primário. Mãe e bebê são um só, uma fusão de cheiro, de corpo, de alma, de sensações e emoções. Entre choros, fraldas, dores, cansaço, privação de sono, o amor transborda, às vezes um amor doído, mas é um amor sublime, em que tanto bebê quanto mãe são gerados e criados.

Não nascemos mãe, nos tornamos mães, e esse tornar mãe só é possível na construção diária, é uma construção constante. Mãe é aquela que cria, que ampara, que acolhe, mãe gera, no ventre ou no coração, mãe ama loucamente, quer ficar grudada, dar se inteira, mas para isso precisa ser inteira. Nem lado A, nem lado B, a maternidade é uma realidade, uma construção feita de glórias e desafios, choros e risos, lágrimas de amor e de dor. Não é o paraíso, mas aqueles olhinhos que miram nossa alma e a mão gordinha que nos acaricia nos faz sentir como se lá estivéssemos. Não é um inferno, mas no quinto choro da madrugada nos sentimos quase lá. E apesar de tudo, aquele sorriso de manhã nos lembra o quão gostoso é amar.
Mas para Maternar precisamos de apoio, não para ser mãe ou para cuidar do bebê, mas sim para sermos inteiras, para que tenhamos condições de nos cuidar e nos amarmos também. Ajudar uma puérpera não é tirar o bebê dela, é sim dar-lhe o apoio, a base de sustentação para que, parafraseando Winnicott,  ela possa enlouquecer, porque se não houvesse um bebê o estado de devoção e vínculo da mulher seria um estado de loucura.
E para falar de  amamentação, precisamos muito falar sobre Rede de Apoio, porque o que mais vejo são mulheres abandonadas e não falo aqui do abandono objetivo, falo do abandono emocional, da falta de acolhimento, apoio, carinho, respeito, falta base de sustentação para que a imensa maioria das mulheres possa vivenciar sua maternidade de forma plena e completa.
Sempre falo muito para as mulheres, mas hoje quero falar para a Rede de Apoio. Amamentar, assim como Maternar, exige entrega, sacrifício, disponibilidade e SIM o emocional da mãe impacta muito no bebê e na amamentação. Então, olhem para a mãe fusionada, mas olhem principalmente para a mulher que segura o bebê, olhem para a mulher que está ali construindo o vínculo e o amor, olhem, apoiem, amparem, deem o suporte necessário para que ela possa estar inteira, inteira para seu bebê e inteira para si própria.
Por Priscila Saldanha - Doula, Consultora Perinatal e Terapeuta Integral Sistêmica

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