Dica de Filme: What to Expect When You’re Expecting (2012)

Há um tempo atrás assisti ao filme What to Expect When You’re Expecting (O Que Esperar Quando Você Está Esperando). Achei bem interessante em muitos aspectos, e resolvi trazer para vocês minha humilde opiniãozinha a respeito das múltiplas tramas entrelaçadas nesta história.

Espero que gostem!

Atenção! Contém spoilers!


O “glow”

Wendy e seu marido Gary estão tentando engravidar há dois anos. Ela é super neurótica e controladora, e está doidinha para engravidar! (Pausa para cena engraçada do aplicativo do Iphone “Você está ovulando!!!” que mesmo em uma lingua que não reconheço, é hilário:

Despausa).

Na primeira e única transa não-programada do casal em dois anos, ela engravida.

Wendy trabalha em uma loja de artigos para bebês chamada The Breast Choice, acaba de lançar um livro sobre amamentação e de repente, se vê vivendo uma gestação muito diferente daquilo que havia, por tanto tempo, sonhado, imaginado, idealizado… Ela vive uma gestação infernal! Todos os sinas mais desagradáveis possíveis da gestação estão presentes, e ela sofre de enjôos, cansaço, dores no corpo, incontinência urinária, constipação, hemorróidas… (Ela nem consegue ficar em pé direito… Nem sentar! É muito intenso… Eu pessoalmente nunca vi uma gestante ficar desse jeito…)

Para piorar, a nova mulher de seu sogro, jovem, linda e loira, anuncia que está grávida ao mesmo tempo que ela (de gêmeos!), e vive a gestação e parto mais tranquilos do universo, sem nem pensar a respeito! (Detalhe que a jovem tem 26 anos, tem energia para dar e vender e é super bem-resolvida sexualmente, ao contrário de Wendy…)

Em um momento do filme, Wendy tem que dar uma palestra inspiracional sobre a gestação em uma conferência sobre maternidade, que se transforma – comédia americana exige – em uma sessão-desabafo fenomenal:

O vídeo vai parar na internet e Wendy se torna uma web-celebrity em questão de horas.

Tudo isso porque ela criou uma ilusão enorme sobre a maternidade ser algo lindo, mágico e virginal… Ela espera o “glow“, o brilho da maternidade, aquele que lhe prometeram nas revistas e novelas e sofre uma enorme desilusão diante da realidade.

No final do filme, com seu filho nos braços, ela se delicia: “tá aqui o meu glow! Ele é meu glow…” 


A primigesta idosa

Jules é uma mulher independente. Aos trinta e tantos anos de idade, ela tem tudo: um corpo fenomenal, uma carreira de sucesso como fitness guru e é a célebre apresentadora de um reality show sobre perda de peso chamado Lose It And Weep. Como se não bastasse, Jules acaba de vencer a competição de dança de celebridades Celebrity Dance Factor, e está dormindo com seu parceiro de dança gostosão, Evan!

Para ela, a notícia da gravidez chega como uma surpesa total, mas ela não pretende deixar que isso atrapalhe a sua carreira. Seu plano é continuar trabalhando normalmente até o final da temporada de seu programa de televisão, e desconstruir assim o mito de que há uma idade limite para ser mãe, e de que a mulher grávida não pode fazer nada.

Infelizmente, Jules abusa de sua boa forma física: durante uma apresentação ao vivo de seu programa, ao fazer um movimento mais puxado, ela começa a sentir contrações doloridas, e é obrigada a ficar de repouso até o final da gestação, para evitar um parto prematuro


A perda

Rosie e Marco se conhecem desde a época da escola, mas a única vez que haviam tentado sair juntos não havia dado muito certo… Eles trabalham vendendo fast-food e são concorrentes. A gravidez de Rosie acontece após a primeira noite do casal e é o início de um relacionamento muito bonitinho.

O primeiro sinal de que algo não vai bem ocorre no exame de ultrassom: não é possível ver o sexo do bebê de Rosie, mas já é possível ver o de Wendy, e ambos foram feitos no mesmo dia, no mesmo bathorário e no mesmo batlocal…

A cena da perda gestacional em si é bem clichê e é a mesma que já vimos centenas de vezes em seriados, filmes, etc.: a mulher acorda no meio da noite sentindo dor; o homem acorda ao seu lado – câmera lenta, música dramática – eles saem na neve em direção ao hospital… e lá, na caminha, de camisolinha, ela recebe a notícia de um jaleco branco anônimo e desaba.

A perda gestacional é um tema geralmente muito pouco discutido, e foi superficialmente abordado no filme, porém a atriz que interpretou a jovem Rosie mandou muito bem, na minha opinião (eu não esperava muito, já que achei ela meio chata em Crepúsculo. Me surpreendeu positivamente).

Depois disso, Rosie não consegue mais olhar para a cara de Marco durante vários meses. Ela o evita, mesmo ele fazendo diversas tentativas para falar com ela. 


A adoção

Holly é uma fotógrafa que deseja muito ser mãe. Ela e o marido, Alex, estão à espera de um bebê adotado. No filme, ela menciona que não pode engravidar e que eles já tentaram fertilização in vitro três vezes. Descobrimos que eles estiveram na lista para adotar um bebê da Guatemala, mas agora estão na lista para adotar um bebê da Etiópia.

A história é focada na dificuldade de Alex em se sentir preparado para a paternidade, enquanto sua mulher já está profundamente imersa no mundo da maternidade. Seguindo o conselho de uma amiga, Holly convence Alex a participar de um grupo de pais.

As cenas que mostram o casal indo até a Etiópia para receber o bebê são muito bonitas, e eu me emocionei muito quado o bebê apoiou a cabecinha no peito da J-Lo e ela chorou. (Tá, eu sempre choro com comédiazinhas bobas…)


O Grupo de Pais

Uma idéia EXCELENTE, que eu adorei no filme e apoio na vida real também: o Dudes Club!

Todo sábado à tarde, esse papais se reúnem no parque com suas crias para um tempo “entre pais”. São duas regras:
                       1) Não se fala do que é dito nessas reuniões: sigilo absoluto!
                       2) Não se julga as ações alheias, jamais!

O bom desses grupos de pais é que os pais se envolvem verdadeiramente com seu papel paterno, e  transmitem informações valiosas um para o outro. (Pausa para cena do Chris Rock dizendo “My woman gave birth doggy style! Thay can do that, you know?” Informação valiosa! Despausa.)

Claro que qualquer mulher arrepia ao ver COMO eles cuidam dos bebês… Mas pais sempre tem um estilo de paternagem muito diferente do que a mulher considera o ideal, não é mesmo? E é bom eles terem um espaço para serem pais, sem as mães verificando o tempo todo o que eles estão fazendo, ou dando sugestões.


O dilema da circuncisão

Jules e Evan se conhecem há poucas semanas, e o primeiro dilema que surge no relacionamento do casal é a questão da circuncisão do bebê.

Para o pai, é óbvio que o procedimento deve ser feito, não há nem o que se debater. Já a mãe acredita que seu filho é perfeito do jeito que é, e não deseja submetê-lo a um procedimento medicamente desnecessário e que pode ter sérias consequências para sua vida futura.


O parto

Dois partos são apresentados no filme. O parto de Skylar, esposa do pai de Gary, é muito fácil. Até demais da conta! Mas ela representa no filme aquela “mulher que todas amam odiar”, então faz sentido que a personagem tenha o “parto miraculoso” que todas secretamente desejam mas raramente acontece. O parto de Skylar é um parto sem dor. Um parto quiabo. De gêmeos. Ela espirra (literalmente) e o bebê nasce! Eu achei muito legal, porque eu sei que existem casos relativamente parecidos na vida real.

Já Jules tem um parto bastante doloroso, mais parecido com os partos Frank que vemos habitualmente nas novelas e seriados. É engraçado ver a cara de Evan quando ela, pela primeira vez, começa a gritar e dizer “I can’t do this!” (sua catchphrase é “I can do this!”).

Por um momento, ela utiliza uma cadeira para parto de cócoras (esperanças crescendo…) mas, eventualmente, seu parto acontece na posição de litotomia mesmo (bye bye esperanças!). Obviamente, eles não mostram nenhum procedimento médico sendo feito, e o bebê vai imediatamente para o colo da mãe, já todo enroladinho e de touquinha. O parto de Jules é o que mais reforça a visão habitual do parto que nós, militantes pelo parto ativo e humanizado, procuramos desconstruir. Tinha que ter um, né?


A cascata de intervenções

Wendy entra na maternidade sentindo muita dor. Ela eventualmente pede uma analgesia de parto, e seu marido precisa subornar o anestesista para que ela seja a primeira a receber suas atenções.

Ela eventualmente chega a 10 cm de dilatação, mas seu médico lhe avisa que o bebê está alto e apresentando alteração dos batimentos cardíacos e que ela vai precisar fazer uma cesariana. Ela pede para que a deixem tentar fazer força, mas o médico decreta que não dá e lá vai ela para a cesária.

O filme mostra bem a diferença entre o ambiente frio da cirurgia e o parto normal, menos “formal”. Enquanto os médicos fazem a cesária, Gary está extremamente preocupado, e Wendy está viajando na morfina. De repente, ouve-se o chorinho do bebê, e o médico o mostra por cima do pano.

Logo depois disso, entregam o bebê a Gary, que o apresenta à mãe. Wendy, então, desmaia. Os médicos comentam que ela está perdendo muito sangue, e retiram Gary da sala de cirurgia. Ele fica desesperado no corredor, esperando por notícias, até que lhe dizem que ela está acordada e está tudo bem.

Não sei se o filme tinha como objetivo assustar as mulheres em relação à cesária, mas com certeza ele conseguiu!


A história nada a ver

Gary e seu pai, Ramsy, têm um relacionamento complicado. Essa relação pai-filho conturbada é muitíssimo explorada no filme – na minha opinião, muito mais do que o necessário – e é pretexto para uma perseguição de carrinhos de golf! (Eu até hoje não entendo porque todo filme precisa de uma cena de perseguição! Sério mesmo!)

Eventualmente, eles resolvem suas diferenças em uma conversa sincera diante do vidro do berçário, no qual todos os bebês esperam impacientemente por um pouco de carinho e atenção.


O veredito

Ao todo, achei o filme bem interessante. Gostei bastante de algumas coisas, não muito de outras, mas no total acho que não é o pior filme sobre o tema da gestação-parto que já vi, e ele inclusive traz algumas informações relevantes. Foi melhor do que eu esperava!

E vocês, assistiram? Gostaram?

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