Como você dá conta?

Prazer, sou Ana Karla, mãe de duas, casada, empreendedora, doula, fotógrafa e arquiteta-não-praticante. Algumas pessoas perguntam: como você dá conta? Simples, não dou. Me esforço ao máximo para fazer o melhor, mas ainda fico muito aquém do que almejo e planejo. Quando comecei a sair da caixinha do mundo do salário fixo mensal e do escritório foi por necessidade, saúde e até um certo desespero. Paixões foram descobertas nesse caminho. E no meio de muito estudo para impulsionar a nova vida me deparo com uma nova categoria de trabalho: o empreendedorismo materno. Tudo muito lindo, na teoria. Há um grupo de mães que não se encaixam mais no mercado de trabalho, seja por terem sido excluídas sem dó dele ou por terem optado em ficar em casa com seu(s) filho(s) mas que têm uma necessidade de trabalhar, por questões financeiras e/ou de desejo pessoal. A solução seria empreender e ter seus negócios em casa, onde terão o melhor dos dois mundos: estarem perto dos seus filhos e produzir algo rentável e que ainda traz realização.

Na prática, mais uma coisa para a lista de frustrações, junto com voltar ao corpo de antes, ter uma casa organizada nível Pinterest, cozinhar comidas saudáveis e orgânicas e __ (acrescente aqui as suas). Estou dizendo que é impossível? Não, quem sou eu para saber da realidade de todas as mães? Mas minha análise desse mundo nos últimos 2 anos ou mais me mostra que normalmente quem têm êxito conta com uma boa estrutura para isso. Têm uma rede de apoio fantástica (meu caso), têm condições financeiras para contratar uma pessoa que ajuda com a casa e os filhos ou pode bancar uma creche por, pelo menos, meio período. E mesmo assim ainda é algo bem desafiador. Agora esperar que uma mulher que fica sozinha em casa para cuidar de tudo que a maternidade e os afazeres domésticos demandam vai conseguir conciliar tempo e disposição para empreender pode ser bem cruel.

Empreender demanda estudo, planejamento e mão na massa. Não costuma bastar somente ser boa em um ofício. Precisamos entender como gerir esse negócio, como realmente ganhar dinheiro, caso contrário pode se tornar muito trabalho para pouco retorno. Transforma-se, então, em mais um fator para sobrecarregar essas mães e ainda gerar mais culpa para as que não conseguirem.

E deixo ainda uma provocação: existe o termo “empreendedorismo paterno”? Numa pesquisa rápida do Google foram 54 resultados para este termo, contra 106 mil para o materno. Esse é um outro lado indigesto desse mundo. Homens não perdem empregos somente por terem tido filhos, nem deixam de ser contratados por isso. Dos homens não se espera que precise conciliar o trabalho com a faxina diária, o cardápio da família ou o choro das crianças.

Quanto a mim, enquanto escrevia esse texto amamentei, troquei fralda, coloquei para brincarem, recolhi brinquedos, coloquei para dormir. Poderia ter escrito em poucos minutos mas levei quase a tarde toda.

Por Ana Karla Veloso Valentim - Doula, Consultora Perinatal e Fotógrafa | Imagem do cabeçalho: https-//candidbelle.com/wp-content/uploads/2014/05/Working-mom-.jpg

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