Relato de parto de Adriana Portes – Nascimento de Nicole na Casa de Parto de São Sebastião

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Adriana, Pedro e Nicole com 3 dias de idade | Imagem: arquivo pessoal.

Adriana e Pedro receberam o melhor presente, logo antes do Natal! Sua pequena Nicole nasceu às 37 semanas e 5 dias de gravidez no dia 22/12/2017 através de um parto normal na Casa de Parto de São Sebastião. Adriana foi atendida pela Enfermeira Obstétrica Raquel Silva e acompanhada na gestação, parto e pós-parto pelas Doulas da Rede Ocitocina: Priscila Saldanha (que esteve presente no dia do nascimento ), Adèle Valarini, Ana Karla Veloso Valentim e Yohanna Cordeiro.

Veja a seguir o seu relato:


Meu relato acho importante começar informando que quando resolvi tentar engravidar, eu nada sabia sobre humanização. Sabia apenas que existia o parto normal e o parto cesário. Nada mais sabia além disso.

Quando soube que estava grávida, procurei minha médica ginecologista, minha médica por 20 anos, também obstetra, que me sugeriu que fizesse o parto com ela, pois embora não aceitasse mais meu plano de saúde, faria o pré natal no particular e o parto ela faria pelo plano. Disse que fazia parto normal se eu quisesse, mas soltou que poderiam haver várias situações que levariam à cesariana. Ainda, queria saber se eu realmente gostaria de um parto normal, mesmo colocando o bebê em risco. Respondi obviamente que não.

Além disso, ela falou que faria um parto normal se fosse possível, mas não esperaria meu tempo, faria um parto que seria bom para nós duas. Nesse momento não me toquei que essa seria uma tendência à cesariana e também faria uma série de intervenções para “facilitar” para ela. Como não havia me empoderado de informações ainda, fiquei sem entender o que poderia acontecer afinal. No entanto, segui o pré natal e por volta da 22° semana minha médica fala: “vou viajar dia 27 de dezembro, você não quer agendar seu parto para dia 26 de dezembro?” Eu estaria de 38 semanas nessa data. Enfim, descobri a tempo a linha de trabalho e resolvi buscar por um médico que pudesse fazer meu parto normal.

Na busca por informações descobri sobre o que são as violências em obstetrícia, descobri o que são doulas, descobri que raríssimos são os profissionais que realmente fazem partos naturais pelo plano de saúde, descobri que se fosse tentar chegar no hospital para um parto normal com plantonista eu deveria estar assistida por um profissional (doula ou enfermeiro), para não correr o risco de me empurrarem para uma cesária desnecessária e ainda descobri que a realidade era ser assistida por um médico obstetra humanizado, mas que teria que arcar com a disponibilidade.

Descobri o grupo Doulas de Brasília no Facebook, descobri minha amada Doula Priscila Saldanha, descobri a Rede Ocitocina, descobri o queridíssimo Dr. Luis Otávio, obstetra, fiz cursos sobre trabalho de parto, li livros, li relatos de parto, fui a rodas de gestantes com meu marido, que aliás sempre esteve comigo, me apoiando, também se empoderando e juntos nos municiamos de todas as formas para que pudéssemos tentar um parto, agora natural.

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Adriana e Pedro na primeira roda da Rede Ocitocina | Imagem: arquivo pessoal

Só tinha um probleminha… eu estava na carência do plano de saúde para parto, então se minha bebê resolvesse nascer antes da 38° semana e 3 dias, eu teria que ir tentar o parto no sistema público. Mas minha grande e maravilhosa sorte é que após a regionalização do sistema público do DF eu estaria coberta pela área em que a Casa de Parto de São Sebastião atende. Devido ao fato, me vinculei a esta para um possível Plano B, caso minha pequena viesse antes das 38 semanas e depois das 37 semanas. Plano C, HMIB.

No dia 21 de dezembro, saçariquei o dia inteiro pela cidade com minha mãe atrás de acertar detalhes do bebê e da minha casa. Acho que caminhei por horas e horas nesse dia. E lembro-me de que durante essa tarde, sentia vontade de ir fazer cocô em tempos espaçados, que vinham e iam embora e não me atentei que era o trabalho de parto começando.

Por volta de 21:00 hrs percebi que estava com cólicas e que as mesmas tomaram ritmo. Abri meu aplicativo no celular, Contration Timer, e verifiquei que a cada 10 minutos aproximadamente, sentia uma cólica que durava 1 minuto. Resolvi tomar um banho para ver se eram as falsas contrações, mas nada delas sumirem. Avisei a doula que sugeriu mais banho e que retornasse caso as contrações se intensificassem. Dito e feito, contrações cada vez mais fortes.

Meu marido avisa a doula que logo vem para a minha casa. Nesse instante, chegamos ao Plano B. Estava de 37 semanas e 5 dias. Na carência do plano. Já era Maternidade Brasília, já era Dr. Luis Otávio obstetra e sua equipe do IBGO. E o destino seria a Casa de Parto de São Sebastião. Na semana anterior, eu havia comentado com a Pri Doula que já estava cansada e que já havia aceitado o fato da Nicole querer vir antes de terminar a carência do plano. Minha doula me acolheu dizendo que a Casa de Parto era uma ótima saída, embora meu medo fosse parar no Hospital do Paranoá.

Voltando ao trabalho de parto, minha Doula Priscila Saldanha, chegou a minha casa por volta de meia noite. Nessa hora, minhas contrações já estavam fortes, porém suportáveis ainda. Elas vinham, eu me ajoelhava ao lado da minha cama e minha doula vinha com suas mãos mágicas e místicas e apertavam meu quadril e me davam um grande alívio. Antes da chegada da doula, as contrações estavam na barriga, mas logo as dores passaram para as costas na região lombar. Nessa altura já estava em trabalho de parto ativo, com 3 contrações a cada 10 minutos de intervalo e de duração de aproximadamente 1 minuto. Estava com muita vontade de fazer coco. Eu ia pra privada e nada de coco… era a Nicole se encaixando na minha pelve.

Teve um instante, acho que por volta de 2 da manhã, começou um sangramento e apareceu o tampão mucoso quando fui ao banheiro. Eu não me recordava da informação de que o sangramento era meu colo afinando. Graças a Deus tínhamos uma doula, pois eu e meu marido não sabíamos e já ficaríamos preocupados com o sangramento. Ficamos assim, com as massagens e apoio sob o corpo do Pedro de meia noite até as 05 horas da manhã quando minha doula disse que devíamos lanchar para sair destino à Casa de Parto.

Começava minha partolândia… Primeiro disse à doula que poderíamos nos encontrar lá. Em menos de 2 minutos mudei de opinião, proibi que a Pri fosse em seu carro, as dores já estavam me assustando. Chegamos à Casa de Parto às 6 da manhã. Na Casa de Parto só havia 1 leito ocupado, ufa, que alívio! Passei pela triagem e ao exame do primeiro toque, para minha surpresa, 8 cm de dilatação! Não senti dor alguma no toque e pensei: como evolui bem em casa!

Entramos no leito Brisa, que não tinha a banheira porque a enfermeira disse que não daria tempo de encher, a menos que eu fizesse questão. Primeiro equívoco: daria tempo sim, pois meu trabalho de parto deu uma travada por lá. Não sei se naturalmente ou psicologicamente teve alguma influência. Logo fui recebida pela equipe que rendeu o plantão noturno. Um anjo surgiu em minha vida, Raquel Silva, a enfermeira, com um jeito delicado e compreensivo, parecia que nos conhecíamos de outras vidas.

Disse que acompanharia meu parto e em 2 horas faria o próximo toque. Às 8 hrs, Raquel fez um toque e eu estava com 9 cm. Nesse meio tempo, Raquel e Priscila me ajudaram em diversos aparelhos disponíveis, cavalinho, poltrona, bola, banqueta, chuveiro, me alimentaram. Meu marido e minha doula sempre lá, me acolhendo em minhas dúvidas e medos. Vinham as contrações, eu agarrava o pescoço do meu marido e minha doula massageava minha lombar… e fomos assim por horas.

Às 10 horas, novo toque, ainda no 9 cm e a enfermeira informa que havia uma pequena parte do colo que não estava deixando a Nicole se posicionar direito e perguntou se poderia fazer a redução do colo do útero. Perguntei o que aconteceria, Raquel disse que poderia apenas doer. Minha doula fez sinal afirmativo pra mim e eu acabei aceitando a manobra. Deu certo e absolutamente nada de dor e entrei nos 10 cm de dilatação. As contrações estavam muito intensas e eu esperando a tal da fase expulsiva a qual a maioria das mulheres relatavam em seus relatos de parto, que era uma vontade involuntária de fazer força e eu nada de sentir isso, só dor e dor que me reprimia a deixá-las fluir cada vez mais.

Descobri a posição de quatro apoios como sendo a mais efetiva. Minha doula sugeriu para eu chamar pela Nicole, dizer que a estava esperando. Foi quando eu dei um grande grito e a chamei de forma primitiva e intensa, um choro visceral. Nesse instante minha bolsa estourou. Ouvi elogios, partolândia tomando conta total da minha mente. E nada da tal vontade de fazer força involuntária aparecer…

Comecei a reprimir as contrações, as mesmas começaram a espaçar, ficaram menos efetivas, fiquei muito tempo no chuveiro tentando as amenizar, pedi cesária, falei que quebraria todo o hospital, tinha certeza que ia morrer, era a pior dor da minha vida. Surge a enfermeira chefe sugerindo a Ocitocina. Pois as contrações estavam muito curtas e eu já estava em 10 cm e exausta. Falaram em falha motora. Neste instante, entendi o que era uma intervenção realmente humanizada. Como estava 10 cm e sem forças, vi que a intervenção seria uma atitude que embora deixasse de ser um parto natural iria certamente me ajudar, pois segundo a equipe, as dores não seriam maiores das quais eu estava sentindo naquele momento.

Toquei a Nicole entre as minhas pernas, dentro de mim e ela estava ali, pronta pra sair. E eu sem forças. Aceitei a ocitocina, estava em quatro apoios e em 15 minutos após a ocitocina veio uma contração e fiz muita força racionalmente, pois desisti do tal puxo involuntário, ele simplesmente não existiu para mim.

Logo senti o circulo de fogo, apareceu a Nicole para todos, veio outra contração e Nicole saiu toda. As dores desapareceram, passaram a Nicole para mim entre as minhas pernas, agarrei aquela menina com tanta força que a enfermeira pediu cuidado, estava totalmente instintiva, era a minha menina!

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Esperamos o cordão parar de pulsar, Pedro cortou. Estimularam a saída da minha placenta que saiu em seguida. Não intervi pois não estava raciocinando direito ainda. Fiquei mais de uma hora com ela em meus braços, ambas se olhando, na magia da hora de ouro. Raquel foi me examinar, estava esperando ela dizer que estava toda lacerada e pra minha surpresa, zero de laceração!

O parto foi mágico e surreal. Equipe Casa de Parto nota 10. Nicole nasceu pequenina com 2.560g e 47 cm às 12:03. Experiencia renovadora. Entrei como menina rebelde e saí como mamãe ursa, protetora extrema de sua pequena cria dependente e tão delicada. Ocitocina a flor da pele!

Resumo: 13 horas de trabalho de parto ativo. Destas, 2 horas de expulsivo aproximadamente. Se contar com a fase latente, as horas de contrações ritmadas, porém, espaçadas, 16 horas de trabalho de parto no total. O que falar da minha doula e meu marido Pedro? Sem palavras, somente muito amor!

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Time-parto completo! Papai Pedro, Doula Priscila Saldanha, Adriana e Nicole e Raquel Silva, EO | Imagem: arquivo pessoal

Sei que fui a protagonista do meu parto, mas sem eles, não seria tão pleno como foi, pois me preparei para as piores dores, mas no auge percebi que elas eram uma força dentro de mim muito maiores que eu esperava, até ânsia de vômito tive de tanta intensidade, no entanto, após o nascimento da Nicole, os hormônios do parto tomam conta e sua memória a cada dia vai apagando aquela sensação de que nunca mais você quer passar por isso…

E hoje, passaria novamente por isso??

Já estamos pensando no nome do próximo. 

Agradecemos a Adriana Portes por nos autorizar a postar este relato.

4 comentários sobre “Relato de parto de Adriana Portes – Nascimento de Nicole na Casa de Parto de São Sebastião

  1. Denize Dias da Silva disse:

    A ENFERMEIRA RAQUEL É UMA LINDA MESMO. ELA FEZ MEU PARTO NO HMIB ,EU QUERIA LEVAR ELA PRA MINHA CASA DE TÃO LINDA QUE ELA É.ATENCIOSA,CARINHOSA,ELA CUIDOU DE MIM COMO NINGUÉM.
    QUE ELA TENHA SEMPRE UMA CARREIRA BRILHANTE PELA FRENTE.

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