RELATO DE PARTO DA REBECA GUILLARDI – Nascimento do Calebe no Hospital Santa Helena

Calebe nasceu nos Hospital Santa Helena, de 41 semanas e 2 dias às 6:41h da manhã de quinta-feira (11/01). Saudável, lindo e iluminando nossas vidas. 53cm e quase 3,5kg. A Rebeca foi acompanhada pelo marido Pedro, pela doula Yohanna desde setembro de 2017, tendo como backup a doula Ana Karla; foi assistida pela enfermeira obstétrica Carol Alves da equipe Lumière e pelo Dr. Luis Otávio do IBGO.
Ela começou a ter contrações fortes e em um intervalo <5min da segunda-feira (8/01) e persistiram até a quinta-feira (11/01). Sim, aguentou 4 dias de dores bravamente que nem a guerreira que ela é!
Leia abaixo seu relato completo

[Processo de preparo – Gestação]
No início da gestação decidi junto ao meu marido que nosso bebê nasceria de parto normal. Calebe foi planejado, esperado e muito desejado e gostaríamos de recebê-lo no mundo da melhor forma possível: no tempo dele.

IMG_8737Entramos em grupos sobre o assunto, pesquisamos e estudamos muito sobre parto, puerpério e até amamentação. Inicialmente, decidimos por não contratar uma equipe e começamos o pré natal com um GO do Plano de Saúde, pra tentar a sorte com plantonista no dia do parto. Encontramos nossa querida doula Yohanna Cordeiro, que desde a primeira conversa no WhatsApp foi incrível na forma como nos acolheu e auxiliou.

Com quase 32 semanas, o Dr. que nos acompanhava parou de atender nosso plano de saúde. Fiquei assustada com a possibilidade de, além de ter que parir com plantonista, terminar meu pré natal sem o acompanhamento adequado. Fomos avisados que não seríamos atendidos um dia antes da consulta marcada.

Já estávamos sem consultas a mais de um mês e no desespero de conseguir qualquer obstetra disponível com urgência, liguei no Santa Helena e pedi por qualquer um com horário vago. Eles indicaram o Dr. Luis Otávio. Já havia ouvido falar dele em relatos dos grupos e já tinha ido em uma roda de gestantes promovida pela equipe IBGO e fiquei encantada, mas nem havia cogitado procurá-lo, pois acreditei que ele não atendia meu plano no pré natal. Atendia sim! Fomos para a consulta e saímos de lá com a equipe toda contratada. Foi a melhor decisão que tomamos, o dinheiro mais bem investido da vida.

Fiz fisioterapia pélvica, Pilates e caminhadas até o final da gravidez. Me mantive ativa e saudável e, junto ao meu marido, continuei buscando informações até o último minuto sobre gestação, puerpério e amamentação. Tudo certo e lindo para um Parto Normal, quem sabe até natural!

[Relato do Nascimento]
No sábado (07/01) decidimos fazer acupuntura para auxiliar com a ansiedade e, caso já fosse a hora do Calebe, desencadear o trabalho de parto. Eu já estava com pródromos doloridos desde o Natal e passar da DPP foi algo inesperado para nós.

WhatsApp Image 2018-01-17 at 12.30.35No domingo de noite fomos ao cinema para espairecer e as cólicas que eu já estava habituada a sentir foram se intensificando e vindo em intervalos menores. Banho quente não resolvia mais e eu estava começando a ficar realmente desconfortável. Avisei para a Yohanna e para a Carol que achava que estava chegando a hora e a Yohanna foi pra nossa casa no início da tarde. Comemos, caminhamos, ela fez (abençoadas) massagens em mim, mas as contrações continuavam vindo, cada vez mais intensas e doloridas, já com ritmo, mas com intervalos entre elas variando entre 2 minutos e 5 minutos. A Carol veio monitorar o bebê e viu que estava tudo bem.

Pedi para a Yohanna e a Carol irem pra casa descansar e tentei dormir. Não conseguia mais, as contrações vinham de 2 em 2 minutos, algumas emendando nas outras. Ainda conseguia comer e me movimentar nos intervalos e a Yohanna voltou de manhã para me ajudar a continuar em movimento e lidando com as dores mais fortes e perda significa de tampão, já com sangue. Carol foi avaliar e viu início da dilatação e o colo apagando. Depois disso foi uma sequência de eventos que eu não já não conseguia acompanhar direito, as dores ficando piores e os intervalos menores. Viemos ao hospital para que o Dr. Luis fizesse uma cardiotocografia e tudo bem com o bebê. Dilatação lenta, mas acontecendo. Colo quase apagado. Voltamos pra casa. Novamente, não dormi. Yohanna foi para casa e nos encontraríamos todos no hospital quarta de manhã para mais uma cardiotocografia e uma ecografia para ver líquido, vitalidade do bebê e da placenta, etc.

Eu já não permitia que me tocassem, mas meu marido incrível passou a noite toda me ajudando a respirar corretamente, me dando apoio, conversando comigo e me lembrando que eu era forte. Foi fundamental o apoio e amor que eu recebi ali naquela noite.

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A quarta passou voando, viemos ao hospital: a bolsa já tinha rompido. Tudo bem com o bebê, mas já não tinham intervalos entre as contrações e eu dormia alguns segundos, exausta, e acordava respirando fundo, sem nem conseguir gritar de dor. Tentei fazer os exercícios e no final da tarde pedi por analgesia. Conversei com o Dr. Luis e decidimos tentar a dose mínima da epidural, de forma que eu sentisse as contrações, mas menos intensas. Meu objetivo era fazer exercícios e fazer meu Trabalho de Parto Ativo ser ativo mesmo. E fui até madrugada adentro. O efeito passou, continuei dilatação em 8cm, já dava pra ver os cabelos do meu bebê, mas ele ainda estava alto. Não descia. As horas passavam, eu agachava, tentava várias posições, fazia força… Bebê ok, eu estava ok. Doula no chão comigo, me lembrando que eu era forte, fazendo exercícios comigo. Meu marido me abraçando e me amparando na dor. Na madrugada de quinta feira eu decidi que se o bebê não descesse nas próximas horas, por mais que ainda estivesse tudo bem (o coração dele tinha dado sinais de cansaço, mas se normalizou no cardiotoco seguinte), iríamos para a cesárea. Conversei com o médico, que me explicou tudo mais uma vez. Riscos, prováveis motivos de não estar evoluindo… Coisas que eu já sabia por ter estudado, mas que precisava ouvir de novo.

Fui para a mesa de cirurgia plenamente consciente, feliz em ter chegado até o final. Feliz em ter me conhecido, finalmente, nesses quatro dias de TP. Eu achei que sabia quem eu era e que conhecia minha força e meus limites.
Fui feliz em ter esperado o tempo do Calebe e de ter passado pela cirurgia da forma mais gentil possível: com respeito, acolhimento, e até mesmo na forma como tudo foi feito, de modo a facilitar minha recuperação.

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Calebe nasceu de 41 semanas e 2 dias às 6:41h da manhã de quinta-feira (11/01). Saudável, lindo e iluminando nossas vidas. 53cm e quase 3,5kg.

Aprendi com minha experiência que entre o que planejamos e o que é possível existe uma distância… Mas que quando temos acompanhamento adequado, técnico e emocional, o desfecho pode ser diferente do esperado, mas não ficam frustrações para trás.

Já saí da sala de cirurgia planejando meu VBAC, e sei que ainda vou vir contar essa outra experiência um dia. E vamos seguindo…

(E é sério, contratem uma Doula. Seja voluntária com ajuda de custo, por trocas ou contratação mesmo… É um apoio sem igual e faz toda a diferença.)

 

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