Organizando o Pós Parto

Já fez o plano de pós parto?
O quarto trimestre é um avalanche de desafios. Quem vai te ajudar?
Essas pessoas sabem ajudar uma puérpera?
Sabem ajudar com questões práticas e guardar seus palpites para si?

No seu plano de pós parto, assim como no seu plano de parto, você colocará o que você deseja, o que você aceita e o que você não permite que seja feito para/com você e com seu bebê.
É a hora ideal para falar de chupeta, mamadeira, água/cházinho para o bebê, NAN, deixar chorando até dormir, onde e como dormir, etc.
A mãe e o pai devem chegar em acordos antes sobre como cuidar desse bebê e da casa e quem for ajudar deve ter acesso aos motivos que levaram a essas decisões, porque se alguém não vê mal nenhum em dar um cházinho para um bebê, talvez seja mais prudente compartilhar estudos com essa pessoa que provavelmente em algum momento estará com o bebê enquanto você dorme ou toma banho…

Contatos de Ajuda profissional e apoio que podem ser úteis:
– Delivery de comida/ Empresas que vendem comida congelada
– Faxineira/Cozinheira
– Doula Pós Parto
– Banco de Leite mais próximo/ Consultora em Aleitamento Materno
– Consultora de Babywearing (Carregadores de bebê)
– Psicóloga(o)
– Amigas com filhos que falem abertamente sobre como foi o pós parto
– Amigxs e parentes que ajudem e não só visitem.
– Massoterapeuta (que saiba lidar com pós parto – onde pode massagear e como) que atenda em casa

Atividades Para o Pós Parto

1. Em casa, no resguardo e período de adaptação imunológica do bebê

– Chamar os amigos para jogarem alguma coisa (bebês no primeiro mês apesar de mamarem em livre demanda, têm um sono geralmente profundo e duradouro. E mesmo se não for, dá pra amamentar jogando/conversando
– Assistir muitos documentários e palestras sobre bebês. Conteúdo audiovisual costuma ser mais fácil de absorver nessa época e entender algumas coisas agora que você está vivendo elas é melhor do que ler muito antes e esquecer tudo quando bater o desespero
– Não fazer amor com penetração mas trocar muitos carinhos, porque nos momentos de estresse e tristeza vocês precisam mais do que nunca lembrar que estão juntos nessa jornada!
– Ir à padaria, farmácia ou mercadinho sozinha. Completamente sozinha! A sensação de tirar o pijama e ver rostos diferentes é um alívio. Deixe o bebê com alguém que tenha 15 minutinhos livres e saia de casa!

2. Quando o bebê já estiver um pouco maior e puder sair

Cinematerna ou Cine Drive-in.
– Aulas para bebês (musicalização, arte, psicomotricidade, natação etc) A intenção inicial pode ser estimular o bebê, mas acaba sendo um terapêutico o simples ato de sair de casa e conhecer outras pessoas na mesma fase de vida que você.
– Slingadas
– Continuar passeando sozinha em alguns momentos do dia.
– Ordenhar para aumentar a frequência desses passeios se quiser/puder.
– Participar de Rodas ou Grupos de puérperas, mesmo que sejam virtuais.


Sobreviver ao primeiro mês parece impossível, o cansaço se mistura com desilusões construídas durante a gestação de que depois do parto, você veria o rostinho de sua cria e amamentaria lindamente e seria a melhor sensação do mundo.
Poucas pessoas compartilham as dificuldades, o desespero, a tristeza, a confusão mental, a falta de liberdade… então fale com quem for te ajudar. E esteja preparada, talvez, para a falta de ajuda e companhia, que infelizmente às vezes acontece.
strengthandbeauty-2Explique calmamente a essas pessoas que puérperas precisam de mais cuidados que um recém nascido.
Ajudar uma parida NÃO É PEGAR O BEBÊ – é cuidar de todo o resto.
O bebê precisa mamar e trocar de fralda de vez em quando. Só isso. A mãe consegue cuidar dessa parte.
Geralmente as mulheres não aguentam mais o bebê chorando porque estão exaustas e esgotadas das várias outras tarefas que sugam a energia dela, sendo que poderiam ser realizadas por qualquer outra pessoa.

Maternar, não. A mãe dá conta de ficar com o ele e se a mãe quiser ficar com o bebê, deixe ela com ele.
Quando as pessoas visitam pegam o bebê, tiram fotos, vestem e enfeitam pra deixar aquela pessoazinha bem fofinha e deixam a parte complicada logo para a puérpera que está lidando com quedas hormonais, cansaço, culpa materna e talvez ainda esteja com uma possessividade pelo bebê como uma forma de lidar com o luto (talvez inconsciente) da barriga… mais atrapalham do que qualquer coisa.
Então para evitar que o baby blues se intensifique e ela tenha depressão pós parto ou até psicose puerperal, ela NECESSITA de paz.

Ajudar uma puérpera é fazer comida, lavar a louça, oferecer uma conversa tranquila, arrumar as coisas para o banho, tirar essas coisas depois, deixar a casa em ordem, ajudar com a burocracia da licença maternidade, ajudar com a logística das consultas e vacinas, etc.

Muito importante também é não desanimar a mulher em relação à amamentação. Ela precisa APOIO. De verdade. Comentários sobre “a força” do leite ou a quantidade de mamadas não ajuda. Amamentação é uma relação que deve ser estabelecida entre mãe e e bebê apenas. Se não for para oferecer palavras gentis, melhor não atrapalhar.

Sling ajuda a mãe a ter mãos livres e um tempo maior para si, ler sobre exterogestação, picos de crescimento e saltos de desenvolvimento também ajuda a entender as demandas de um recém nascido, mas a mãe precisa de outras coisas também, afinal, ela estará de resguardo INDEPENDENTE do tipo de parto/via de nascimento.

Se tiver um filho mais velho, quem for cuidar de você pode passear com ele, elogiar, dar atenção para que ele não se sinta menosprezado ou em competição com o bebê.
(Dica bem séria)

Ajudar uma puérpera tem que ser com as tarefas que qualquer pessoa pode fazer, porque a mãe é a única pessoa que importa na vida do recém nascido, e não existe separação nessa relação simbiótica.

Por Yohanna Cordeiro - Doula e Consultora Perinatal.
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