Entendendo Melhor as Fases do Trabalho de Parto | Por Adele Doula

Durante o trabalho de parto, o padrão de contrações uterinas vai mudando e consequentemente as sensações e o comportamento apresentados pela mulher também.

Neste post buscarei explicar um pouco melhor como acontece este processo.

Espero que gostem!

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Os pródromos

Os pródromos são sinais que o corpo pode apresentar algumas horas, dias ou até semanas antes do trabalho de parto, e que sinalizam que ele está se preparando para parir. A maioria das mulheres apresenta contrações de treinamento indolores (Braxton-Hicks) que vão se tornando cada vez mais frequentes nas últimas semanas da gestação. Algumas mulheres se queixam de desconfortos na região do quadril, como se ele estivesse se abrindo, de sentir peso no períneo e de uma sensação parecida com cólicas menstruais. Certas mulheres apresentam um aumento significativo da lubrificação vaginal, outras perdem o tampão mucoso uma ou mais vezes, outras têm episódios de diarreia e outras ainda apresentam alterações de humor (que eu carinhosamente chamo de TPP: tensão pré-parto) ou uma vontade incontrolável de fazer faxina e arrumar a casa (nesting). Para algumas mulheres, os pródromos podem causar o apagamento do colo uterino ou até alguns centímetros de dilatação do colo uterino antes do início do trabalho de parto!

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Atenção! Nem toda mulher vai ter pródromos, algumas entram em trabalho de parto sem nenhum sinal prévio.


A fase latente

A primeira fase do trabalho de parto, ou fase latente, é a que tem maior duração, podendo durar horas ou dias. Às vezes, pode ser difícil diferenciar a fase latente dos pródromos, pois as sensações costumam ser bastante parecidas. Nesta fase, as contrações uterinas costumam ser curtas (duram em média 45 a 60 segundos cada) e podem ser bem afastadas umas das outras, a cada 15 ou 20 minutos, ou já se apresentar com intervalos bem próximos. Geralmente, a dor é localizada no pé da barriga, é facilmente suportável e a mulher consegue conversar até mesmo durante a contração. O que acontece nesse período é o amolecimento e afinamento do colo uterino e o início da dilatação – até uns 4 ou 5 cm – que nesse início evolui beeeem lentamente.

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As mulheres costumam aproveitar esta fase para verificar as bolsas da maternidade, a roupinha do bebê e acertar os últimos detalhes para o parto. Algumas mulheres saem para passear, comer fora, fazer compras e algumas até aproveitam para passar no salão! Nesta fase a recomendação é seguir a vida normal enquanto isso for possível: descansando, se alimentando, namorando e fazendo coisas que lhe dão prazer. Uma bolsa de água quente é suficiente na maioria dos casos para aliviar os desconfortos das contrações desta fase.


A fase ativa

Quando as contrações começam a ficar mais intensas e longas, chegando a 1 minuto de duração em média, e mais próximas umas das outras – de 4 em 4 ou 3 em 3 minutos – começa a chamada fase ativa. Nesta etapa do parto, a mulher muitas vezes tem a sensação de que as contrações de repente passam a vir uma atrás da outra, muito próximas umas das outras, e que ela mal tem tempo de se recuperar de uma que já começa a próxima. É muito frequente ela começar a sentir dores no quadril e no cóccix (é a cabeça do bebê se inserindo dentro do osso pélvico) além da dor no pé da barriga que já acompanhava as contrações desde a fase precedente.

Nessa hora as contrações começam a exigir a concentração total da mulher, que passa a ficar de olhos fechados e precisa focar para não prender involuntariamente a respiração e tensionar demais a musculatura durante a contração. Essa fase é marcada pela dificuldade de achar uma posição confortável e a necessidade de se movimentar bastante e ir ao banheiro várias vezes. Esse momento pode ser acompanhado de irritação (evite falar com a mulher durante as contrações!), de vômitos (sim!) e é comum bater um medo nessa hora, uma dúvida na mulher se realmente ela vai dar conta de ir até o final… As contrações em si ainda são suportáveis, apesar de serem bastante doloridas e durarem mais, o problema é que, com intervalos menores, o cansaço começa a se fazer sentir e aí vem a dúvida: “quanto tempo mais será que eu vou aguentar desse jeito?

É nessa fase que se recomenda ligar para a enfermeira obstetra/parteira ou ir para a maternidade, dependendo do plano de parto da mulher. Os hospitais costumam internar apenas se a mulher apresentar um padrão de contrações indicativo de fase ativa – 3 contrações em 10 minutos – e uma dilatação mínima de 5 a 6 centímetros.

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Nessa hora geralmente entram em cena também as Doulas, com suas técnicas não farmacológicas de alívio da dor e seus recursos de conexão e relaxamento. E assim, de contração em contração, testando diferentes posições, com a ajuda de massagens e carinhos, de respiração e vocalizações, de palavras de conforto e de múltiplos banhos quentes no chuveiro e na banheira a fase ativa vai progredindo… Sua duração média é de umas 5 horas – podendo obviamente variar MUITO de mulher para mulher – e ela engata na fase seguinte, a fase de transição, quase de maneira imperceptível.


A fase de transição

As contrações, que duravam em média 1 minuto, passam a durar mais do que isso, podendo chegar a 1 min e meio de duração (1 min e meio sentindo dor não é brincadeira!) seguidas de mais ou menos o mesmo tempo de intervalo. Por causa da quantidade elevadíssima de hormônios naturais – ocitocina e endorfinas – sendo liberados na sua corrente sanguínea, a mulher pode sentir uma alteração no seu grau de consciência: ela pode se sentir sonolenta, exausta, sentir que está quase desmaiando ou que está meio drogada. Algumas mulheres relatam que não conseguem manter os olhos abertos nem fora da contração, nem tampouco articular palavras ou entender o que as pessoas à sua volta estão falando; outras apresentam tremedeiras no corpo todo, originadas pelas altas taxas hormonais, o que pode assustar. Essa alteração de consciência que pode ocorrer em maior ou menor grau – ou nem ocorrer – é o que chamamos de Partolândia, e para algumas mulheres esse momento inclui sensações inusitadas, como a sensação de sair do próprio corpo ou de estar em contato profundo com o universo.

Na fase de transição, as mulheres sentem que a dor no pé da barriga que elas já vêm sentindo há horas chega a um nível muito intenso e que a sensação da pelve se abrindo e da cabeça do bebê pressionando dentro dela vão parti-la ao meio. É o momento mais difícil do trabalho de parto, onde as mulheres relatam estar sentindo mais dor, e é nesta fase que costuma ocorrer a hora da covardia, momento em que muitas mulheres pensam que não vão dar conta e pedem analgesia, pedem cesariana.

Essa fase é, para a maioria das mulheres, a mais difícil de todo o parto, porque a dor é muito intensa e elas não têm como saber quanto tempo mais aquilo vai durar. A sensação que dá é que não vai acabar nunca, ou que elas estão totalmente sem forças e  exaustas e não vão conseguir botar o bebê para fora de jeito nenhum… A boa notícia é que esse momento não dura muito tempo, se comparado com as fases precedentes. Para algumas mulheres são alguns minutos apenas, para outras pode chegar a até 2 horas ou mais. Quanto maior for a entrega da mulher às suas sensações neste momento, mais tranquila e rápida tende a ser a fase de transição.

No final da fase de transição, algumas mulheres vivenciam uma pequena parada de progressão, uma pausa de alguns minutos nas contrações que lhes permite descansar – e às vezes até dormir! – para recobrar energia para o período seguinte: o expulsivo.


O período expulsivo

A fase de transição termina quando, no meio da contração, a mulher começa a apresentar uma vontade muito grade de fazer força. Isso significa que o colo uterino dilatou completamente e o bebê agora conseguiu inserir a cabecinha no canal vaginal. O expulsivo vem acompanhado de uma dose de adrenalina que tira a mulher daquele estado de exaustão típico da fase precedente: ela de repente tem muito mais energia, o corpo pede posições que minutos atrás ela não conseguia fazer, e a força brota sozinha, sabe-se lá de onde!

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Como o colo do útero aponta para trás, o bebê sai em direção ao ânus da mãe e ao descer pelo canal, empurrado lentamente por cada contração, ele estimula os mesmos receptores que indicam para o cérebro quando o intestino está cheio e precisa ser esvaziado. Algumas mulheres relatam que sentem uma enorme pressão interna, outras dizem que sentem vontade de fazer xixi e outras ainda dizem que sentem como se tivessem um enorme cocozão entalado.

É normal a sensação de que o bebê vai sair pelo lugar errado e é normal também que saia um pouco de cocô ou xixi – ou os dois – enquanto a mulher faz força, antes da cabeça do bebê sair, porque ela passa empurrando tudo.

A força que a mulher faz nessa hora é geralmente involuntária, e não é ela a principal força que faz o bebê sair. É o útero, em toda a sua formidável e incontrolável potência, que expulsa o bebê. O tempo do expulsivo pode variar de alguns minutos a várias horas, por isso é importante a mulher não fazer um excesso de forças fora dos momentos em que o corpo pede, procurar relaxar e descansar entre as contrações, beber água e se alimentar quando possível, para não se cansar demais. Quanto mais devagar o bebê sair, quanto mais vaivéns ele fizer no canal vaginal enquanto este está relaxado, mais flexível vai ficando a região e menores as chances de uma laceração espontânea ocorrer.

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A sensação no momento que a cabeça passa pela vulva e sai é de uma ardência bem pronunciada, chamada de círculo de fogo, que vem muitas vezes acompanhada de um grito alto e agudo. Essa sensação de ardência para algumas mulheres é um pouco desesperadora, fazendo-a pedir ou aceitar procedimentos que muitas vezes ela não deseja, como puxar o bebê ou uma episiotomia (corte no períneo). A fisioterapia pélvica durante a gestação, principalmente o treino com o Epi-NO, tem se mostrado muito benéfica para preparar as mulheres para essa sensação e diminuir o desespero desta hora. Após a passagem da cabeça, muitas vezes o bebê para no canal e, enquanto aguarda a próxima contração para nascer, ele gira. Esse giro pode trazer uma sensação muito prazerosa para a mulher. E então vem uma última grande contração e o bebê nasce!


A dequitação da placenta

Assim que o bebê nasce, o útero, que durante todo o trabalho de parto já vinha diminuindo progressivamente de tamanho, dá uma diminuída radical, sob efeito das altas doses de ocitocina naturalmente liberadas no expulsivo. Lá dentro, a placenta permanece firmemente enraizada enquanto o bebê recebe sua dose extra de sangue e oxigênio, até ser capaz de respirar por si mesmo. Uma vez terminada sua função, a placenta se desprega da parede uterina, ainda sob efeito dos hormônios do parto. A mulher sente algumas contrações, mas que para a maioria lembram mais o comecinho do TP, quando era tudo muito tranquilo ainda.

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A placenta é quente e mole, e geralmente sai acompanhada de uma certa quantidade de sangue, o que dá uma sensação de calor molhado nesse momento e pode causar fraqueza em algumas mulheres (dependendo da quantidade de sangue, ela pode até mesmo desmaiar após o parto!). Enquanto expulsa a placenta, o útero diminui mais uma vez de tamanho, ficando mais ou menos na altura do umbigo.

É apenas quando a placenta termina de nascer que se considera que o trabalho de parto acabou realmente. Depois disso, a equipe que acompanhou o nascimento procede à verificação da integridade da placenta e de suas membranas, do períneo e, se necessário, sutura possíveis lacerações com o auxílio de anestesia local.


O pós-parto

É absolutamente normal a mulher sentir cólicas durante os primeiros dias após o parto. Na maioria dos casos, as mulheres não se sentem muito incomodadas pois são geralmente cólicas fraquinhas, mas para algumas mulheres as cólicas pós-parto chegam a ser bastante incômodas. Elas tendem a ser mais frequentes e fortes durante a amamentação, pois a sucção do bebê estimula a produção de ocitocina, o mesmo hormônio que produz as contrações uterinas no parto.

As cólicas do pós-parto se devem ao retorno do útero ao seu tamanho normal após o parto e são acompanhadas de um sangramento que é bastante abundante no início – bem mais do que uma menstruação – e vai diminuindo progressivamente. Na maioria dos casos, o sangramento cessa em até 40 dias após o parto. Caso não cessar, ou a mulher perceber algum odor desagradável ou apresentar dor abdominal persistente, é bom ir ao médico fazer uma avaliação.


Neste maravilhoso vídeo, a Doula Gisele Leal explica de maneira super didática como reconhecer cada fase do trabalho de parto se guiando pelo comportamento da mulher:

Espero que tenham gostado do post!

Fiquem atentos/as para os outros posts da
Série Entendendo Melhor,
que serão postados em breve, às segundas-feiras!
Por Adele Valarini, Doula e Consultora Perinatal

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