Entendendo Melhor as Contrações | Por Adele Doula

Uma das dúvidas mais comuns das gestantes é a respeito das contrações do trabalho de parto. Como reconhecê-las? Como saber quando o trabalho de parto começou? E como saber a hora de ir para a maternidade? Neste post, tentarei explicar um pouco melhor como se originam as contrações, sua evolução durante o trabalho de parto e como contá-las.

Espero que gostem!


A anatomia do útero
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O útero é um órgão que consiste principalmente de tecido muscular liso, conhecido como miométrio. O miométrio é envolto de uma camada serosa chamada perimétrio e o seu interior é revestido por uma camada vascularizada chamada endométrio, que sofre alterações ao longo do ciclo menstrual, tornando-se mais espessa durante o período fértil e sofrendo descamação durante a menstruação.

Quando ocorre a gestação, o embrião se implanta no endométrio e a musculatura lisa do útero inicia um processo de expansão que a leva a aumentar seu tamanho em até 20 vezes.

O útero é mantido em seu lugar por diversos ligamentos peritoneais:

ÓRGÃOS GRAVIDEZ ÚTERO.

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O que é uma contração?

O útero se movimenta através de contrações uterinas, originadas por células-marcapasso que se encontram localizadas próximo às trompas. Essas contrações estão presentes durante o período menstrual, durante toda a gravidez e são observadas também durante o orgasmo feminino.

As contrações uterinas são involuntárias e incontroláveis, sendo potencializadas por fatores hormonais como a diminuição da progesterona, o aumento do estrógeno e a liberação de ocitocina (no final da gravidez a quantidade de receptores de ocitocina aumenta muito). As trocas hormonais entre a mãe e o feto são  determinantes para o início do trabalho de parto, que é desencadeado pela liberação na corrente sanguínea materna de ocitocina, cortisol e prostaglandinas (que amolecem o colo uterino). Fatores mecânicos como a distensão das fibras musculares e a própria movimentação do bebê também podem estimular as contrações uterinas.


Contrações de treinamento e Pródromos
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Até umas 30 semanas de gestação mais ou menos, a atividade uterina ainda é muito pequena. Existem contrações fracas e frequentes, que muitas vezes a mulher nem sente. Às vezes, ela percebe o endurecimento da barriga apenas em pequenas áreas, de forma bastante esporádica e geralmente indolor. Conforme a gestação vai avançando, surgem algumas contrações mais visíveis, que deixam a metade da barriga ou a barriga inteira dura, porém ainda esporádicas e indolores: são as contrações de Braxton-Hicks ou contrações de treinamento.

No último mês de gestação a mulher vai percebendo que as contrações de treinamento vão se tornando progressivamente mais visíveis e frequentes, podendo chegar a apresentar até três contrações no período de uma hora. Nas últimas semanas da gestação, essas contrações podem vir acompanhadas de sensação de cólica menstrual ou de pressão no quadril, como se este estivesse se abrindo. Ela pode apresentar alguma alteração da textura do colo uterino (afinamento, amolecimento), perder o tampão mucoso ou apresentar alguma dilatação durante esse período. Estes desconfortos e alterações que sinalizam que o corpo está se preparando para o parto são chamados de pródromos.

Atenção: nem toda mulher tem pródromos, algumas entram em trabalho de parto sem nenhum sinal prévio.


Alarmes-falsos

Como foi citado acima, as contrações de treinamento costumam ir progressivamente se modificando, tornando-se mais fortes e menos espaçadas o que, nas últimas semanas da gestação pode gerar os conhecidos “alarmes falsos“. Os alarmes falsos são contrações doloridas, mas que não “engatam” em um trabalho de parto ativo. Em muitos casos, as mulheres têm contrações fortes, doloridas e ritmadas (de 10 em 10 min, 5 em 5 min, etc), mas isso não dura muito tempo, apenas alguns minutos ou algumas poucas horas.

Os alarmes falsos são um pouco diferentes dos pródromos, aquelas cólicas chatas e desconfortos no quadril que anunciam que o trabalho de parto está se preparando para começar. Durante o alarme falso, a impressão é de que o trabalho de parto começou mesmo! Só que, depois de algum tempo, as contrações param. Muitas vezes as mulheres são orientadas a fazerem um teste: tomarem um longo banho bem quente ou um medicamento (ou os dois). A maioria dos alarmes falsos cessa com essas medidas, já o trabalho de parto de verdade, não.

Atenção: nem toda mulher tem alarmes falsos antes do parto.


Contrações de trabalho de parto

O que marca o início do trabalho de parto é a presença de contrações uterinas regulares, que não cessam e vão se tornando progressivamente mais intensas e menos espaçadas. Na maioria dos casos, as mulheres comparam as sensações do início do trabalho de parto com cólicas menstruais bem fortes e observam um endurecimento da barriga que dura de 45 a 60 segundos de cada vez. Os intervalos das contrações no início do trabalho de parto podem ser grandes e geralmente as mulheres começam a desconfiar que podem estar em trabalho de parto quando as contrações começam a vir de 10 em 10 minutos, mais ou menos (fase latente). Esse intervalo vai então se tornando progressivamente mais curto, e geralmente considera-se que o trabalho de parto “engrenou” realmente quando as contrações passam a vir a cada 3 ou 4 minutos, durando mais de um minuto cada (fase ativa).

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No momento em que as fibras musculares do útero se contraem, elas se tornam mais grossas, rígidas e curtas. O fundo do útero empurra o feto para baixo, pressionando sua cabeça sobre o colo uterino ao mesmo tempo em que as laterais do colo uterino são puxadas para cima, fazendo pressão sobre a cabeça. E assim o colo vai cedendo às pressões, contração após contração, em uma dilatação que é lenta e mecânica, e não espontânea. Ou seja: o colo uterino se abre por causa da pressão exercida sobre ele pela cabeça do bebê, ele não vai se abrindo sozinho igual uma flor desabrochando. Por isso, a dor da dilatação do colo uterino é geralmente sentida no pé da barriga, bem onde a cabeça pressiona o colo, e apenas durante a contração.

No momento do expulsivo, as contrações empurram o bebê com muita força para fora do útero, causando uma sensação de vontade de evacuar que geralmente leva a mulher a fazer força. A cada contração, o bebê é empurrado um pouco mais para fora, até que ele finalmente nasce.

As contrações uterinas continuam então para expulsar a placenta e nos dias posteriores ao parto, o útero continua se contraindo até voltar ao seu tamanho de antes da gravidez. Essas contrações costumam ser acompanhadas de uma sensação de cólica que pode ser bastante incômoda para algumas mulheres (neste caso o obstetra costuma indicar um medicamento).

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Este vídeo traz uma excelente demonstração de como as contrações causam a dilatação do colo uterino e a expulsão do bebê:


Contando as contrações

Existem diversos sites na internet e aplicativos para download que permitem contar contrações, como o Contraction Timer, o Contraction Counter, o Contraction Master, etc. Todos eles funcionam mais ou menos do mesmo jeito: tem um botão, na hora em que a contração começa você aperta o botão e na hora em que termina aperta de novo. Depois de algumas contrações, os programas geralmente indicam o tempo médio e a duração média das contrações. O problema é: quando as contrações estão mais doloridas, a mulher não se lembra de apertar o botão e nem de avisar quando a contração está começando nem acabando, rsrs! Mas normalmente, dá para se guiar apenas olhando para sua fisionomia: quando a contração começa, a maioria das mulheres franze a testa ou faz uma expressão mais tensa. Quando a contração termina, é comum a mulher relaxar os músculos e respirar aliviada.

Na imagem a seguir, veja como contar as contrações sem fazer uso de aplicativo:

como contar contracoes

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Espero que tenham gostado do post!

Para saber mais:

Por Adele Valarini, Doula e Consultora Perinatal

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