35 fatos sobre amamentação

Logo depois de lutar pelo parto, percebemos que há outra luta nos aguardando. A amamentação que deveria ser incentivada por todos é uma longa e árdua jornada. Exige bastante estudo, apoio, paciência e confiança no próprio corpo – que nem o parto.
Nos mamíferos, fêmeas produzem leite para alimentar suas crias. Nos humanos poderia ser simples assim, mas temos uma tal de cultura que muda muitas ações naturais. Nessa postagem vou procurar ser o mais direta possível com informações que podem ser cercadas de mitos e desatualização de muitas pessoas.

Antes de iniciar a lista quero deixar bem claro que: A MÃE NÃO TEM CULPA de uma amamentação mal sucedida. Caso a caso deve ser analisado mas de forma alguma eu quero que alguma mãe leia e se sinta culpada. A culpa é de uma sociedade que dificulta a maternidade desde a gestação, estimula o consumismo e traz informações equivocadas e desleais por interesses pessoais. 

1. Até 1 ano, o leite materno (LM) é a principal fonte de nutrientes.
2. Amamentação exclusiva é recomendada e é sim possível na maioria dos casos. Até os 6 meses não é indicado o consumo de nenhum alimento além do (LM) se não houver uma necessidade comprovada de complemento. Nem “aguinha”, nem “chazinho” muito menos comida batida no liquidificador. O estômago não está pronto para ingerir alimentos antes do primeiro semestre. Obs: fórmula alguma contém os anticorpos presentes no LM.
3. Chupetas e Mamadeiras comprovadamente atrapalham a amamentação – além de trazerem malefícios para a arcada dentária e fala posteriormente.
4. Amamentar cansa (física e psicologicamente) e dá fome/sede. Após amamentar, o descanso é necessário
5. Amamentação cruzada NÃO é segura. Não é seguro oferecer diretamente o seio a um bebê de outra pessoa e nem ter seu bebê mamar no seio de outra. Prefira sempre o auxílio de um banco de leite.
6. Amamentar pode ser difícil pra caramba para algumas mulheres, ninguém nasce sabendo amamentar (e os bebês não nascem sabendo mamar) Eles nascem com instinto de sucção para facilitar, mas precisam aprender junto com a mãe a fazerem com que a amamentação dê certo. Quanto mais cedo forem estimulados a mamarem ao nascer, maiores as chances de sucesso.
7. Não é necessário “calejar” o seio durante a gestação.
8. Não é necessário desmamar outro filho durante uma nova gestação (ele receberá o colostro da mesma forma – pois é resultado do coquetel hormonal do trabalho de parto) Sugiro leituras sobre Tandem e lactogestação.
9. Pode comer livremente enquanto amamenta, o importante é não abusar. A quantidade é o segredo. Pode sim comer feijão, repolho, chocolate, tomar um cafézinho, etc sem medo. Cólica no bebê não é culpa da mãe e muitas vezes a tal cólica não é cólica mesmo.
10. Amamentar pode doer – e muito – por vários motivos. O mais comum é pega incorreta. *TEM SOLUÇÃO*
11. Testar posições e locais diferentes para amamentar ajuda significativamente no processo. É bom desapegar da posição tradicional na cadeirona de amamentação com a almofadona de amamentação. Tente de tudo até encaixar bem e conseguir se mover enquanto amamenta, depois. Não precisa ficar imóvel, prejudicando a postura durante mais ou menos 40min parada.
12. Pediatra por si só não é especialista em amamentação e nem em peito.
13. Ginecologista obstetra por si só também não.
14. Enfermeiro por si só também não
15. Doula por si só também não
16. Consultores em aleitamento/amamentação sim. Todos os profissionais acima podem fazer o curso de consultoria de aleitamento, mas poucos são os que fazem.
17. Para resolver todo e qualquer problema com seio e amamentação 1° vá a um banco de leite humano (todo hospital com maternidade tem; os hospitais públicos geralmente têm os melhores BLHs) ou busque uma consultora que possa ir ao seu domicílio.
18. O Grupo Virtual de Amamentação (GVA) pode salvar sua vida. Recomendo o site, o grupo, tudo…
19. A amamentação pode ficar mais difícil quando há questões psicológicas pesando. A mãe precisa (precisa mesmo) se sentir confortável, segura e acolhida. A rede de apoio é fundamental para que a amamentação obtenha sucesso. Os hormônios responsáveis pela produção de leite somem em situações de estresse (Comentários como “ele chora tanto, vou dar uma chupeta pra ele”; “na minha época eu dava logo um chá de camomila pra acalmar” ou “será que seu leite não é fraco?” só atrapalham)
20. O mais indicado para bebês que tomam LM é a livre demanda. Ou seja, nada de cronometrar quanto tempo de mamada ou quantas horas de intervalo entre elas.
21. NÃO EXISTE SOBREPESO EM BEBÊ QUE MAMA EXCLUSIVAMENTE NO PEITO.
22. Existem vários tipos de bico de peito, o plano e o invertido podem dificultar as coisas no início, mas não impedem a amamentação. (Procure um BLH ou uma consultora)
23. Os bebês costumam ter um seio favorito e tudo bem.
24. Não existe leite fraco, o leite é adaptado a cada mamada. Feito “sob encomenda” de acordo com as necessidades do bebê
25. Quanto mais se extrai leite (seja amamentando ou ordenhando) mais se produz. Então não tem como esgotar o leite doando ou amamentando “demais”. O seio produz de acordo com a demanda. Se a demanda for menor, ele diminui mas não para. *observação: se o seio estiver empedrado, ordenhar com estímulo quente (compressa/chuveiro) pode até aliviar naquele momento, mas o seio produzirá ainda mais. O ideal é não ordenhar com nada quente para não piorar depois.
26. Amamentar ajuda as contrações uterinas, nas primeiras horas de pós parto pode ser usada junto com a ocitocina sintética intramuscular como indutora da dequitação (saída da placenta) e durante os primeiros meses, pode diminuir o tempo de duração dos lóquios.
27. Não precisa revezar o seio a cada mamada porque dependendo de quanto o bebê mamou, talvez ele tenha mamado só o leite anterior (o que hidrata) e não o posterior (o que engorda e sacia). Pode repetir o seio até ele esvaziar ou se o bebê tiver uma pega melhor naquele bico. Às vezes o próprio bebê tem uma preferência nítida por um seio.
28. O recomendado pela OMS é amamentar no mínimo até 2 anos (24 MESES) e não há máximo. O leite materno sempre oferecerá propriedades ricas para a saúde do bebê/criança.
29. Não existe amamentação prolongada antes dos 2 anos. Mesmo se o bebê andar ou falar, ainda é perfeitamente normal e benéfico amamentar.
30. A fase oral dura em média 24 meses, também o tempo mínimo recomendado para a amamentação. Não é por acaso. Sucção não nutritiva é uma forma do instinto do bebê se manifestar. Às vezes a gengiva coça, às vezes o céu da boca precisa de estímulo para que o bebê se acalme. Perfeitamente natural. É sim preferível a mão ou o dedão no lugar de uma chupeta. NÃO EXISTE UM BEBÊ CHUPETAR O PEITO. O bebê “empeita” a chupeta. A chupeta é um calmante sintético, viciante e prejudicial. O dedo/mão compartilha da mesma textura e temperatura que o seio. É natural e o hábito de sugar passa na maioria das vezes com uma amamentação em livre demanda até os dois primeiros anos. Muitas vezes no surgimento dos primeiros dentes. Se há prolongação, talvez uma questão psicológica deva ser analisada.
31. A volta ao trabalho após o fim da licença maternidade (que é ínfima no Brasil) é extremamente injusta mas não necessariamente precisa interromper a amamentação exclusiva. O ideal é ordenhar e pedir para que lhe seja oferecido em copo comum, colher dosadora/comum ou copo de treino com bico rígido (daqueles que indicam para mais de 6 meses, se tirar a válvula fica mais fácil para um bebê pequeno tomar).
32. Mesmo após seis meses de vida, bebês precisam mamar mais do que comem (até 1 ano) – e tudo bem.
33. Translactação é melhor que mamadeira por inúmeros motivos (e pode ser feito por mães/pais adotivos).
34. Nem sempre amamentar emagrece.
35. Não tem tempo exato de duração das mamadas. O estômago do bebê vai crescendo mas não necessariamente ele vai mamar por mais tempo. Às vezes o bebê mama por 10 minutos de meia em meia hora, às vezes o bebê mama por 40 minutos de 3 em 3 horas.

Amamentação não é sempre intuitiva, não é sempre gostosa e nem é sempre duradoura, mas é importante para o bebê e favorável para a mãe.
Ajuda é sempre bem vinda. Se você está lidando com alguém (amigo, parente, profissional) que não está te apoiando, busque trocar.
Trocar de profissional e trocar informação com quem você tem vínculo. Veja onde há base em evidências. Põe pra fora o que está te deixando mal, busque apoio.
Estamos juntas!


Tópicos de Leitura importantes e complementares:

  • Sucção não nutritiva
  • Leite anterior e posterior
  • Confusão de bicos
  • Exterogestação
  • Introdução alimentar baseada em evidências
  • Fase oral
  • Livre demanda
  • Cama compartilhada e/ou acoplada

Abaixo estão algumas obras para incentivo.
Amamentação não tem cor, não tem classe social, não tem época, não tem credo, não tem limite. Amamentar é um relacionamento com seu filho. É vínculo, é afeto. É literalmente suprir as necessidades vitais dele. Além de poético e divino, é cientificamente comprovado que é o MELHOR para a mãe e para o bebê.

Por Yohanna Cordeiro - Doula e Consultora Perinatal.
Ao compartilhar, utilize as opções do site. A cópia e reprodução integral ou de qualquer trecho desse texto não está autorizada sem que haja link direto para o original e créditos à autora.

Um comentário sobre “35 fatos sobre amamentação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s