Relato de parto da Camila Prtz Simões – Nascimento do Hari na Maternidade Brasília

“Nossa missão para dar o nascimento que o Hari gostaria de ter”
Parto Natural Hospitalar
Maternidade de Brasília
EO: Klara Barker
Médico: Dr. Roberto Costa Cavalcanti
Durante a gestação os relatos de parto que li aqui me ajudaram muito, espero retribuir e contribuir!
Tive uma gestação saudável, todos os exames ok. Exemplar! O plano era parir na casa de parto em São Sebastião. Com 37 semanas e alguns dias, fui até a emergência da maternidade de Brasília pra verificar a suspeita de bolsa rota – negativo. O plantonista que nos atendeu achou conveniente que eu fizesse uma ecografia e um cardiotoco alegando ter achado o coração do Hari acelerado. Fiz os exames, tudo certo, fluxo do cordão, etc e tal tudo ok, exceto pelo líquido hiperecóico. Pelo que entendi, o líquido na eco estava esbranquiçado e esse não é o padrão. A partir daí criou-se um problema lá dentro. A médica que fez o exame quis consultar outro colega que por sua vez, ficou com a pulga atrás da orelha, eram 3 possibilidades: mecônio, sangue ou pus. Esse médico pediu que eu repetisse o cardiotocograma que mais uma vez estava ok. Infelizmente este médico entrou em reunião e pra eu receber “alta” outra médica pegou meu caso. O ser humano olhou os exames e falou: vc tem que fazer uma cesárea hoje! Ela tocou o terror. Na hora eu gelei, pois me preparei a gestação inteira pra ter um parto natural. Para a minha sorte ela começou a falar umas asneiras, tipo: “tem que fazer a cirurgia, o seu bebê pode estar com uma circular de cordão no pescoço”. Pedi pra ela uma requisição pra eu poder repetir a ecografia em outro lugar. Com muita má vontade ela nos deu. Já eram quase 18h e por sorte (proteção divina) conseguimos uma clínica na frente da maternidade aberta. Refiz o exame: líquido hiperecóico, bebê perfeito! A médica nos confortou. Apesar de ter que se restringir a dar os resultados, disse que aquilo não era indicação de cesária, até porque não tinha grumos no líquido. Liguei pra minha doula maravilhosa e pra Silvéria (pessoa experiente e iluminada) elas me fortaleceram. Voltei pra casa orientada a observar os movimentos do Hari e ficar calma. O Hari não foi um feto que mexia muito. Naquela noite esse fato me angustiava. Fragilizada e ele “sem mexer” fui na madrugada de segunda pra terça na maternidade escutar o coração dele. Dei bobeira! Chegando lá o menino dana a mexer (desde o útero eles já têm vontade própria rsrs). Fiz o cardiotoco, mas antes tomei um soro glicosado pois havia vomitado e tido diarreia antes (meu corpo não conseguiu engolir aquela história). Colocaram um acesso na minha veia super espesso. Estranhei. A médica plantonista já pela manhã me culpabiliza, me chama de irresponsável… que eu podia matar meu filho, fez um terror. Ela foi escrota, nojenta, antiprofissional! Tenho asco daquela pessoa. Não deixaram eu tirar o acesso da veia pois eu teria que ir pra cirurgia. Meu companheiro já estava se indispondo e disse boas verdades pra Dra. Fulana. Eu meti a louca… disse que entendia, “entrei no jogo dela” e sai fugida de lá. 9h da manhã.
Eu tinha o apoio daqueles que realmente se importavam com o Hari, fui pra casa decidida a esperar e observar o meu bebê. Na quarta a nossa doula nos visitou e cuidou da gente. Neste momento eu já estava tranquila. Ela nos orientou a ter o acompanhamento de uma EO. Ela também pediu que eu desenhasse como eu imaginava o parto. Na quinta pela manhã estava só em casa, fui tomar sol nas tetas, no plexo e me conectar com ele. Pedi pra ele me mostrar como ele gostaria de nascer!!! Fiz o desenho, deixei as imagens fluir no papel (vou postar aqui). Pouco mais tarde eu estava radiante, feliz sem explicação, logo em seguida meu tampão sai!!!!! No mesmo dia fechamos com a EO. As 21h do dia 13 as contrações ficaram dolorosas e frequentes. 00:00h a Pri e a Klara chegaram em casa. Estava em fase latente. As 10h da manhã 4cm de dilatação, contrações intensas mas não pegavam ritmo. O tampão saiu meio amarelado, o que nos fez sair de casa. Fomos ao Sta Luzia, mas o plantonista estava ocupado, ia demorar. Fomos então pra casa de parto. Uma peregrinação. Ter contrações no carro é HORRÍVEL. Na casa de parto não puderam me internar, tinha líquido em excesso, portanto saia do protocolo. Não queria voltar pra maternidade de Brasília, achava que chegando lá entraria na faca. Mas já tava tão exausta, não dormia há quase 2 dias, a semana havia sido intensa. Aceitei, fomos pra maternidade. Chegando lá os mesmos enfermeiros, as mesmas caras. Apreensão. A médica do plantão não viu ou não assumiu o meu prontuário, se quer tocou no assunto das cesáreas indicadas. Fiz o cardiotoco: ótimo. Fui pra sala de internação. Na documentação pra internar eles te obrigam a concordar com episiotomia, rotura de bolsa… o combo intervenção violenta. Nosso plano de parto lá foi ignorado. O meu companheiro rodou a baiana, causou lá dentro por causa disso. O diretor da maternidade foi chamado… só soube disto depois, mas ele causou kkkkkk
Cheguei as 13h lá. A bolsa rompeu parcialmente lá pelas 15h. Meu líquido? Transparente feito água. As 19h eu ainda estava nos 6 cm. As contrações não pegavam ritmo. Uma outra médica monstro entra e faz um toque durante uma contração. PQP, vi estrelas, fiquei sangrando. A minha doula Priscila, a enfermeira Klara e o meu companheiro foram incríveis, estavam comigo a todo tempo. Eu estava exausta, a essa altura já tava pedindo analgesia, tava sentindo tudo aquilo e não evoluía!!! Até que a Pri me incentiva a comer (serei eternamente grata por isso). Comi a pulso, mas funcionou pois ganhei um gás. Pouco tempo depois comecei a querer fazer força. E fui fazendo. Aqueles 6cm evoluíram para o expulsivo bem rápido. Acho que todos que me acompanhavam rezavam em mente pra não aparecer a médica monstro. Fomos pro centro cirúrgico, vi o médico e tive vontade de abraça-lo e beija-lo. Não entendi minha reação, mas naquela altura eu já tava na partolândia. Ele foi enviado pela força superior que eu acredito. Em quase 1h de expulsivo Dr. Roberto foi incrível. Ele simplesmente me assistiu parir. Respeitou meu tempo. Lembro-me dele sentado com a mão no queixo me observando. O Hari nasceu, tal qual no desenho. Particularmente eu nunca imaginei parir deitada/sentada como no desenho, mas assim foi. Ele nasceu e foi direto pro meu colo. Ele nasceu com a cabeça empelicada. Assim que tiraram a película ele sorriu. Grato, feliz! Chorou depois de sorrir. Apgar 8/9. Lindo, saudável. Minha placenta nasceu em paz. O pai do Hari cortou o cordão quando já havia parado de pulsar. A ocitocina administrada de rotina foi aplicada depois de ter desligado o Hari de mim. Tive uma laceração superficial com 2 pontos porque sangrava. Foram quase 24h de trabalho de parto desde a fase latente. Hoje olho pro meu filho e penso: conseguimos! Brigamos com muita gente pra te dar o nascimento que vc queria.
Gratidão aos envolvidos. Aos que me atacaram com mal me fizeram crescer, ter pulso firme. Aos que a nos fizeram bem que este bem volte como num círculo de amor à vida. Gratidão ao universo.
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