A Hora de Ouro do Recém Nascido

60 minutos extremamente valiosos

Quero falar DAQUELE momento!
É o pós parto imediato e o recém nascimento. 60 minutos inteirinhos, ouviram? Não 5 min, nem 18 ou 37.
Se o bebê nasce bem e não há emergência, nada deveria impedir que ela acontecesse.

Nessa linda hora, láaa em baixo, o cordão pulsa até parar. A placenta dequita, Suturas talvez sejam feitas. Enquanto isso, algumas coisas chaves acontecem

contato pele a pele, em que o bebê recebe o calor do peitoral materno além de ouvir e lembrar do coração batendo, aprende a sincronizar sua respiração com a mãe (respirar é novidade, né?), mesmo ainda com o cordão enviando oxigênio ele já sente o vontade e necessidade de aprender. Ele solta os primeiros gemidos ou choros e se expõe diretamente com as bactérias da mãe pra se fortalecer ao se adaptar pro mundo. Ele aprende a regular a própria temperatura com a temperatura da mãe, e a mãe por sua vez, fica com o peitoral quentinho para dar o colo mais saudável possível.
Esse contato pele a pele deve se manter por toda essa hora sem interrupções.

 Depois de um ou dois minutinhos os olhos começam a se abrir e procurar sua mamãe. Aquela cena bem mamífera onde o filhote quer encontrar sua criadora responsável. É o olhar mais lindo!!! Às vezes leva menos tempo, mas em geral os bebês que estavam se esforçando para nascerem demoram um minuto para entenderem que acabou aquele túnel, já conseguiram! Acabou! Essa percepção acontece lentamente, os olhos tentam se abrir e quanto mais luz, mais demora a se acostumar com a abertura. Geralmente cheios de remela, vérnix e sanguinho (que não é sujeira) e mesmo assim conseguem abrir os mini olhinhos e fixar nos da mãe. Chama-se “imprinting” – um fenômeno marcante. Nesse momento de olhar fixo um no outro, duas criaturas que já se conheciam instintivamente, se reconhecem fisicamente. É transcendental. O bebê que é levado imediatamente da mãe por alguma razão, tenta fixar seu olhar para carimbar no cérebro sua criadora responsável com todos que vê até achar quem fixe o olhar de volta. Se ninguém corresponder, desiste. (Calma! dá pra ter o imprinting depois! O ideal é que seja o quanto antes, mas dá sim… Tem um puerpério todo para isso) Não é por acaso que a distância que o RN enxerga é a mesma que a distância do seio aos olhos maternos. E isso nos leva para o
acontecimento, o instinto de sucção. O bebê desperta de repente a vontade louca de sugar. Ele vai sugar a mão (que nem fazia na barriga) ou a manta e o que tiver na frente. Isso acontece por volta dos 20min.
É o melhor momento para a primeira tentativa de amamentar.
Sincronizado com o bebê ainda, o seio (de uma mulher que entrou em TP) já está com colostro pronto para ser tomado por cerca de meia hora! A pega correta pode levar um tempinho para conseguir encaixar, mas assim que encaixar o bebê vai mamar – pausar ainda abocanhando o seio – mamar de novo – pausar… e finalmente dormir.  Não é uma demonstração de fome e sim de instinto. O bebê nasce com uma reserva e se não mamar agora, não é motivo de preocupação, mas é sempre bom usar a própria vontade de sugar para a amamentação, quando possível. Daí a tal LIVRE demanda.
e Fim

Agora já está liberado para ser medido, pesado, ter seus reflexos testados, receber a vitamina K, ter o pé carimbado, etc
(na companhia do acompanhante e de preferência na mesma sala em que está a mãe)


Dá pra ter hora de ouro na cesárea?

Isso depende de alguns fatores:
Primeiros cuidados: se a cesárea foi necessária, é muito provável que ou a mãe ou o bebê precise de exames e procedimentos com certa urgência, então a separação pode vir a acontecer em prol da família, então adia-se um pouco esse momento e o foco não é mais garantir a hora de ouro e sim prezar pela vitalidade dos dois.
Pele a pele: se nasceu bem, com apgar bom e a mãe está se sentindo bem, dá para colocar o bebê no peito da mãe e o braço que não estiver com acesso, ou monitoramento pode ser usado para abraçar o bebê e  pediatra, neonatologista, doula e/ou acompanhante pode(m) ajudar a segurá-lo.
Clampeamento tardio do Cordão: nem sempre dá para esperar parar completamente de pulsar porque existe um risco real de infecção, já que a mãe está aberta, cada minuto a mais aumenta o risco, mas profissionais humanizados costumam esperar entre 1 e 3 minutos mesmo na cesárea.
Amamentação: Fica bem mais complicado posicionar o bebê para que ele abocanhe corretamente o mamilo, mas não é impossível. Depende também de como está o campo, ainda que tenham baixado ele, existe uma série de limitações que a mãe e acompanhante/doula/bebê não podem encostar para evitar contaminação. Na recuperação, a maca provavelmente estará inclinada e isso também dificulta o posicionamento. Mas quem puder ajudar, ajuda até encaixar!
Imprinting: Também fica bem mais difícil por causa da posição da mãe, que não pode se erguer para ver o bebê e o bebê não tem muito controle da cabeça para tentar enxergar a mãe. Porém, é como falei antes, tem um puerpério todo de muito olho no olho para conseguirem se carimbar bem.



Antes que me digam “Yohanna você está vivendo em um mundo utópico, nada disso acontece porque levam o bebê imediatamente para os primeiros cuidados…”
Já vou deixar aqui o que está na Portaria 371/2014 do Ministério da Saúde, seguindo orientações da Organização Mundial da Saúde. Observem também como em momento algum falam que depende da via de nascimento. Beijos

Art. 1º Ficam instituídas diretrizes para a organização da atenção integral e humanizada ao recém-nascido (RN) no momento do nascimento em estabelecimentos de saúde que realizam partos.

Parágrafo único. O atendimento ao recém-nascido consiste na assistência por profissional capacitado, médico (preferencialmente pediatra ou neonatologista) ou profissional de enfermagem (preferencialmente enfermeiro obstetra ou neonatal), desde o período imediatamente anterior ao parto, até que o RN seja encaminhado ao Alojamento Conjunto com sua mãe, ou à Unidade Neonatal (Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional ou da Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru), ou ainda, no caso de nascimento em quarto de pré-parto, parto e puerpério (PPP) seja mantido junto à sua mãe, sob supervisão da própria equipe profissional responsável pelo PPP.

Art. 2º Para prestar este atendimento o profissional médico ou de enfermagem deverá exercitar as boas práticas de atenção humanizada ao recém-nascido apresentadas nesta Portaria e respaldadas pela Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde e ser capacitado em reanimação neonatal.

Art. 3º Considera-se como capacitado em reanimação neonatal o médico ou profissional de enfermagem, que tenha realizado treinamento teórico-prático, conforme orientação ser publicizada, por expediente específico, pela Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno (CGSCAM) do Ministério da Saúde.

Art. 4º Para o RN a termo com ritmo respiratório normal, tônus normal e sem líquido meconial, recomenda-se:

I – assegurar o contato pele a pele imediato e contínuo, colocando o RN sobre o abdômen ou tórax da mãe de acordo com sua vontade, de bruços e cobri-lo com uma coberta seca e aquecida, Verificar a temperatura do ambiente que deverá está em torno de 26 graus para evitar a perda de calor;

II – proceder ao clampeamento do cordão umbilical, após cessadas suas pulsações (aproximadamente de 1 a 3 minutos), exceto em casos de mães isoimunizadas ou HIV HTLV positivas, nesses casos o clampeamento deve ser imediato;

III – estimular o aleitamento materno na primeira hora de vida, exceto em casos de mães HIV ou HTLV positivas;

IV – postergar os procedimentos de rotina do recém-nascido nessa primeira hora de vida. Entende-se como procedimentos de rotina: exame físico, pesagem e outras medidas antropométricas, profilaxia da oftalmia neonatal e vacinação, entre outros procedimentos;

Art. 5º Para o RN pré-termo ou qualquer RN com respiração ausente ou irregular, tônus diminuído e/ou com líquido meconial seguir o fluxograma do Programa de Reanimação da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Art. 6º O estabelecimento de saúde que mantenha profissional de enfermagem habilitado em reanimação neonatal na sala de parto, deverá possuir em sua equipe, durante as 24 (vinte e quatro) horas, ao menos 1 (um) médico que tenha realizado treinamento teórico-prático conforme previsto no artigo 3º desta Portaria.

Art. 7º O estabelecimento de saúde deverá dispor no ambiente de parto (sala ou quarto de parto) ou em ambiente próximo, das condições necessárias para reanimação neonatal, acessíveis e prontas para uso, constantes no Anexo desta Portaria.

Art. 8° Fica alterado ,na tabela de Procedimentos, Medicamentos, OPM e Materiais Especiais do SUS os atributos do procedimento abaixo

Procedimento: 03.10.01.002-0 ATENDIMENTO AO RECEM NASCIDO NO MOMENTO DO NASCIMENTO
Descrição: O atendimento ao recém-nascido consiste na assistência por profissional capacitado, médico (preferencialmente pediatra ou neonatologista) ou profissional de enfermagem (preferencialmente enfermeiro obstetra ou neonatal), desde o período imediatamente anterior ao parto, até que o RN seja encaminhado ao Alojamento Conjunto, junto com sua mãe, ou à Unidade Neonatal (Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional ou da Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru), ou ainda, no caso de nascimento em quarto de pré-parto, parto e puerpério (PPP) seja mantido junto à sua mãe, sob supervisão da própria equipe profissional responsável pelo PPP.
CBO INCLUIR: 2231-F9 – Médico Residente 2235-45 – Enfermeiro 3222-05 – Técnico de Enfermagem 3222-30 – Auxiliar de Enfermagem 2251 – Todos os CBO’s da Família 2251 – Todos os médicos clínicos 2252 – Todos os CBO’s da Família 2252 – Todos os médicos cirúrgicos
 

Art. 9º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, com efeitos operacionais nos sistemas de informação para competência seguinte à sua publicação.

Art. 10 Fica revogada a Portaria nº 31/SAS/MS, de 15 de fevereiro de 1993, publicada no Diário Oficial da União – DOU nº 33, de 17 de fevereiro de 1993, seção 1, página 2.111 e a Portaria nº 96/SAS/MS, de 14 de junho de 1994, publicada no Diário Oficial da União – DOU nº 112, de 15 de junho de 1994, seção 1, página 8.689.

HELVÉCIO MIRANDA MAGALHÃES JÚNIOR

2 comentários sobre “A Hora de Ouro do Recém Nascido

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