Relato de Parto da Jacqueline – Nascimento do Ian (32 semanas)

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RELATO DE PARTO NATURAL HUMANIZADO
BEBÊ: IAN FERREIRA PIMENTA
DPP: 25/08/2018
DN:04/07/2018
GO: DR. LUÍS OTÁVIO MANES PEREIRA
DOULA: ADELE VALARINI (REDE OCITOCINA)
LOCAL: HOSPITAL SANTA HELENA

 

Para começar esse relato, quero contar que Ian é um bebê arco-íris. No ano passado tive uma perda gestacional em agosto, com 9s de gestação, e em dezembro descobri uma nova gestação. Para anunciar para a família, fiz como queria; falei para todos que conhecia logo no começo da gestação, já que na primeira gestação não havia contado para quase ninguém, e depois contar sobre a perda doía muito. Com essa gestação, queria que fosse tudo diferente.

Em janeiro descobrimos o sexo, bem perto do meu aniversário. Era um menino, como havia imaginado. Segui em uma gestação tranquila, de risco habitual, exames dentro da normalidade, e no primeiro trimestre tive náusea, vertigem e sonolência. No segundo, e até o início do terceiro trimestre, tive dor lombar que irradiava para o ciático. Fiz o possível para melhorar meu estado: fiquei ativa, trabalhando, fazia pilates, fiz acupuntura para a dor lombar e havia iniciado fisioterapia pélvica, que achava uma delícia.

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Tudo seguia bem até terça-feira, dia 03. Na segunda-feira do dia anterior (dia de jogo do Brasil) tive folga o dia todo. Estava disposta: faxinei a casa, lavei roupa e estava de bom humor. Na madrugada, tive uma cólica forte e fiquei acordada um bom tempo agonizando, tomei remédio e consegui tirar um pequeno cochilo antes de ir trabalhar. Quando acordei, ainda com cólica, entrei em contato com meu médico que sugeriu que fosse ao pronto socorro para fazer uma CTB (cardiotocografia). Dei entrada e a médica que me atendeu sugeriu um toque, ao qual consenti. No toque, ela percebeu o colo “curto” e “amolecido” e solicitou logo uma ecografia para avaliar o colo e vitalidade fetal.

Auscuta do BCF e CTB normais (sem contração), mas na ecografia o colo tinha um tamanho menor que o mínimo. Foi feito a primeira dose de uma medicação para amadurecer o pulmão do bebê. Falei com meu GO e fui para casa com uma licença de 20 dias, e já havia feito medicação venosa para a dor, já me sentia melhor, era apenas essa cólica chata, pensei comigo, e uns dias em casa não cairiam mal, pois poderia fazer meu plano de parto, organizar o chá de fraldas (que seria no final dessa semana), lavar as roupinhas, organizar o quartinho, enfim, faria isso tudo, já que estava com um repouso “relativo” com 32s + 4d.

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Na madrugada de quarta, dia 04, a dor já estava beirando o insuportável. Fui tomar um banho para aliviar e nada, e então na manhã voltei ao PS para a segunda dose do corticoide. Comentei da dor e foi prescrito uma medicação, mas nada da dor passar. Então o médico sugeriu um analgésico mais forte, ao qual tomei e fui fazer a CTB. O bebê estava bem, mas novamente sem contração pelo CTB, e não foi feito toque nesse momento, pelo risco de infecção. Saí de lá perto da hora do almoço, cheguei em casa, fui deitar e dor só piorando, mas dormi, pois o relaxante me deixou MUITO grogue e sonolenta.,

Acordava de vez em quando com “cólicas ritmadas”, e em algum momento da tarde fui ao banheiro e lá estava ele, o tampão mucoso. bem sanguinolento, indicando trabalho de parto. Mas pensei, na CTB não tinha contração, então qualquer coisa vai começar a partir de agora. Mas pensei: sou primigesta, então teria uma evolução lenta (estava  enganada) tenho um sonar em casa, cheguei a pensar em auscultar o bebê, mas estava muito sonolenta, mandei a foto do tampão para o GO e doula e voltei a dormir, não conseguia fazer mais nada, só sentir dor e dormir. Logo meu GO me liga e fala que queria me avaliar, enquanto ia me preparando para acordar, ainda estava muito sonolenta, continuei sentindo muita dor. Fui para o banheiro, tomei um banho longo e consegui almoçar. Já no fim da tarde, quando encontraria com meu GO às 17:30h, bem perto dessa hora, começou uma dor paralisante, e achei que não conseguiria sair de casa.

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No carro, cada lombada e cada curva chorava de dor, mas ainda assim achei que chegaria no hospital com início do trabalho de parto ativo (uns 3-4cm). Cheguei ao Hospital Santa Helena para o que pensei que seria uma avaliação. No encontro com Dr. Luís, no toque já sabia que tinha dilatação total só pela forma que ele me tocou, só que tinha um bônus, a bolsa já estava protusa no canal de parto, e veio o seguinte pensamento: é agora, confie! Olhei para o relógio, 18h.

Meu esposo saiu correndo para pedir uma maca, e quando subi na mesma, nesse momento com a consciência de tudo que estava acontecendo, me permiti entrar na partolândia. Só precisava do meu esposo, da doula e do GO. Cheguei na sala de parto, que era uma sala tipo PPP, e após alguns minutos a Adele chegou. Levantei da maca, pensei: agora é hora de trabalhar! Estava descansada, havia dormido a tarde toda, aguentaria um trabalho de parto longo facilmente, mas Ian já estava chegando. Adele me ajudando com massagem, meu esposo maravilhoso me apoiando, fazendo lindas declarações, me amando de uma forma que ele nem sabia que poderia amar. Dr. Luís não media esforços, deitava no chão, fazia auscuta, pedi para ficar na banqueta com meu esposo atrás. Adele e Dr. Luís na frente. cada um segurando uma mão, e a bolsa estourou. Alguns segundos depois Ian no meu colo, um prematuro de 32s+ 5d, chorando forte (UFA! Que alívio) ativo, rosadinho, lindo, pensei: Graças a Deus! Apgar 9/9, avaliação do períneo sem lacerações, mas a placenta me intrigou, era tinha 2/3 do tamanho que uma placenta normal deveria ter, tinha uma área infartada e iria para a patologia, saberia do resultado em alguns dias.

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Ian nasceu super bem, não precisou de nenhum dispositivo para respirar em nenhum momento, mas apresentou alguns episódios de hipoglicemia nos primeiros dias, que logo tiveram melhora. Não escapou de alguns dias

na UTIN (13) devido a prematuridade, ficou sondado durante todo esse tempo e não pude amamentar até que ele fizesse 35s corrigidas, foram mais 06 dias de Alcon depois da UTIN.

Hoje estamos em casa, Ian ganhando peso, meu pequeno milagre, fato que descobri com o laudo da placenta, onde o diagnóstico foi: corioamnionite aguda. Sou enfermeira, trabalho nessa área, sei bem que essa não é uma complicação simples, e quase sempre é descoberta bem tardiamente, e o bebê já entra em sofrimento, maiores comprometimentos para a mãe, então hoje sei que quando me perguntava a razão do colo ter dilatado: não foi sorte, foi Deus.

WhatsApp Image 2018-07-28 at 16.01.26Sobre os profissionais que escolhi só tenho elogios, o clima de amor era tão forte no momento do parto que contagiou até a pediatra da sala de parto, que cuidou de Ian com o maior carinho, e sempre quando me encontrava nos corredores do hospital perguntava sobre sua saúde. Adele que me doulou desde a minha perda gestacional, uma pessoa fantástica, de uma sensibilidade incrível, e o Dr. Luís é um profissional completo, supercompetente, que faz sua prática baseada em evidências científicas, atualizado, humano, sensível, me trouxe segurança o tempo todo. Em nenhum momento tive medo, pois estava nas mãos dele. Meu esposo, que me trouxe segurança e confiança que precisava naquele momento, que deixou todos emocionados com as palavras de carinho e amor naquele momento, você foi perfeito, e hoje tenho tanto orgulho do pai que você é, nada seria possível sem você ao meu lado.

 

Sobre o hospital, não era a escolha que tinha feito inicialmente, mas não achei ruim. O hospital tem uma estrutura boa e fui sempre atendida com cordialidade, profissionalismo e competência. Creio que precisam apenas humanizar em alguns detalhes em relação à UTI, deixando os pais participarem de rotinas como o banho, por exemplo, e não ter horários tão rígidos. Senti falta de um banco de leite, sei que poucos hospitais particulares têm BLH, mas acredito que isso faz muita diferença. Gostaria muito que me bebê tivesse recebido LHP na sua estadia na UTI, e não fórmula, principalmente por se tratar de um prematuro.


Do Alcon não tenho queixas, só elogios, fiquei internada com o bebê por 06 dias, a equipe já me conhecia pelo nome e me ajudou MUITO. O meu bebê mamava em LD, tomava complemento por sonda na mama e foram feitos todos os testes: orelhinha, língua, pezinho, e reflexo vermelho no Alcon. Ele era estimulado por fonoaudióloga e fisioterapeuta 2x/dia, e a fono também auxiliava na amamentação, e as pediatras todas competentes e atenciosas.

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