Gestação e parto com fibromialgia, sobrepeso e sedentarismo!

Antes de mais nada isso não se trata de uma apologia a um estilo de vida com pouco cuidado à saúde mas apenas um relato de uma experiência pessoal.

Quando engravidamos ou até mesmo quando entramos no grupo de possibilidade para a sociedade (leia-se, quando casamos) já somos bombardeadas com pitacos e conselhos e julgamentos e muito disso direcionado à nossa saúde. Todos muito preocupados e super entendidos sobre o que é considerado certo ou arriscado quando se é tentante ou gestante e o que pode ou não te habilitar a um parto normal.

Vou focar especificamente na parte do parto. O que deveria ser a 1a opção de via de nascimento devido a todas as evidências de benefícios tanto para a mulher como para o bebê hoje é visto como algo extremamente limitado e perigoso. O sistema nos faz crer que uma mega cirurgia é a opção mais viável , confortável e segura relegando o parto para as mulheres pobres (coitadas) ou as muito corajosas (loucas) e, quem sabe, a mulher com idade/peso/preparo físico/saúde perfeitos em uma condição ideal de temperatura e pressão. (Veja a lista da Melania Amorim de indicações fictícias para cesárea.)

E então nesse cenário engravidamos, estando já acima do peso e sendo sedentária. Acrescento no meu caso a fibromialgia. E surgem as opiniões alheias, ora escancaradas, ora veladas, sobre o quão perigoso, difícil, e até impossível seria gestar e parir nessas condições. Questionam por que não emagreceu antes de engravidar, apontam sua barriga enorme e afirmam que são gêmeos, dizem que vai nascer antes do tempo, que a barriga parece que vai explodir, falam que você não vai aguentar a dor do parto, não terá resistência para horas de sofrimento de um trabalho de parto, que vai acabar pedindo cesárea então deveria marcar logo, que antigamente as pessoas eram mais ativas e portanto o corpo estava mais preparado para parir mas que nossa vida sedentária está acabando com essa possibilidade.

Fui lá e provei que estavam errados. Duas vezes. Controlei o ganho do peso durante a gravidez, mas sem muita paranóia, fiz todo o acompanhamento necessário com exames e consultas, me preparei psicologicamente para uma dor absurda que nunca veio (minhas experiências) e curti bastante todo o processo. Me senti a super mulher!

Tive gestações maravilhosas mesmo com o sobrepeso e sedentarismo, nunca me senti mais disposta em minha vida. Até as dores de cabeça que me acompanham desde a infância quase que semanalmente desapareceram durante esse período. No primeiro parto fui trabalhar na fase inicial das contrações antes do parto engrenar. Por sempre ter me sentido muito sensível a dor por conta da fibromialgia estava esperando a dor da morte, como muitos descrevem (muitos que nunca pariram, diga-se de passagem) e quando veio me surpreendi absurdamente! Posso afirmar que já tive crises de enxaqueca piores!

É muito importante cuidar da saúde, em especial se tratando de uma gravidez. Mas para parir o mais crucial, em relação ao sistema que nos é imposto, é cuidar da mente, conseguir se blindar de tanta interferência não embasada, acreditar em si e no seu corpo, estudar para se fortalecer!

PS: Na mesma lista citada acima podemos ver os itens 105 (Fibromialgia), 160 (obesidade materna) e 191 (Sedentarismo) como indicações fictícias para cesárea.

Texto de Ana Karla Veloso para a Rede Ocitocina – Se gostou compartilhe, não copie.

Foto: Veloso Valentim Fotografia

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