Relato de Parto da Halinna – Nascimento da Aurora – Versão do pai Leonardo

Às 04:00 horas da madrugada eu acordo com minha esposa dizendo que está com dores e se questionando se isso poderia ser trabalho de parto. Fico animado de início, pensando que a noite anterior de muito amor carinho e beijos surtiu efeito. Faço uns vídeos muito instrutivos e mando tanto para Doula (Yohanna) quanto para o obstetra (Dr Gabriel Curi), que me respondem muito prontamente com mensagens do tipo (hahahahahahahahahaha).

Depois de 20 min caminhando para a fim de confirmar que a bolsa tinha estourado, ligo para o médico que me sugere ir pro hospital; em minha arrogância sugiro ficar mais um tempo em casa pois estávamos aguentando bem as contrações, com massagens e carinho.

Mas a verdade vem com um grito brutal da Halinna dizendo (aaaaaaahhhhhhhhhhhh!!!!!!!!). E em seguida (5 min depois de ter falado com Dr Curi) retorno a ligação pro médico dizendo que é melhor mesmo ir ao hospital.

Saímos de casa meio aos trancos e barrancos, levo tudo que tinha que levar e de groja acabo levando também a mala de natação da Halinna, alguns óculos de natação e tralhas extras (que vieram a ser muito úteis). Durante o trajeto me senti impotente perante os gritos de dor da Halinna e o trânsito intransponível que se mostrava a frente, tentei pegar a faixa exclusiva mas não deu muito certo (ela já estava liberada e entupida de carro por causa das obras). A cada grito dela minha angústia aumentava e eu deseja estar dirigindo um carro voador.

Chegando no hospital fiquei feliz com a proatividade dos atendentes, foi só chegar na recepção e falar “Ela tá parindo aqui” apontado na direção do carro; e de imediato as portas se abriram e uma enfermeira apareceu com uma cadeira de rodas, me senti amparado! Em seguida chegou o Dr Gabriel Curi e os trâmites burocráticos começaram. Fiquei um bom tempo preenchendo papeladas e mandando mensagens para os familiares mais próximos.

Fomos encaminhados a sala pré parto. Lá ficamos um bom tempo, os sinais de uma saída brusca de casa começaram a aparecer! Me bateu uma fome avassaladora e na mesma hora pensei que Halinna também estivesse com mesma fome, mas para minha surpresa ela rejeitou toda e qualquer comida. Pensei que isso fosse os efeitos da partolândia, mas eu precisava comer de qualquer jeito, e mais uma vez fiquei satisfeito com o hospital pois me trouxeram lanche de gravida. Isso me manteve em pé durante os horas que se seguiriam.

E essas horas que se “arrastaram” foram bem doloridas, senti todos os segundos na minha lombar. Indo e voltando do chuveiro, segurando minha esposa na bola de pilates. As coisas ficaram mais estranhas quando a Halinna começou a ficar em outro mundo, não respondia mais minhas perguntas, reagia de maneira aleatória aos meus pedidos, perambulava pelos cantos, dormia em pé e isso tudo sem comer. Agradeço muito a presença da Yohanna e se pudesse eu teria mais umas 10 pessoas lá dentro da sala para que pudéssemos revezar nas massagens e nas posições de suporte para a Halinna.

Mesmo sem entrar no chuveiro sai da sala de pré parto ensopado. Quando fomos encaminhados à sala de parto humanizado minha figura de mula de carga provocou risos e pena não só por parte do Dr Curi como também de alguns enfermeir@s.

Chegando na sala de parto humanizado tentamos de tudo para fazer a Halinna se alimentar mas só conseguimos com que ela tomasse um copo de suco e um pouco de mel. Enquanto a banheira enchia, as contrações ficavam mais fortes e a Halinna ficava cada vez mais fraca. As posições de conforto da Halinna eram inversamente proporcionais ao meu desconforto. Foi então que a Halinna pediu pela primeira vez a analgesia. Fui atrás do médico, quando ele chegou a banheira já estava cheia e a Halinna tinha acabado de entrar. O médico falou falou e falou tentando dissuadi-la da analgesia, mas o argumento fundamental foi a água quente da banheira que deu alívio muito bem vindo. Ela adormeceu e eu adormeci ao seu lado colocando minha perna como travesseiro para minha esposa.

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Depois, do que pra mim foram apenas alguns minutos, a Yohanna nos acorda relembrando que é um “TRABALHO” de parto e não um “relaxamento” de parto. Saímos da banheira e as contrações voltaram, a Halinna bem cansada. E para meu azar aquilo que passei na sala de pré parto nem se comparou com o que passei na sala humanizada. Minha lombar, braço, tronco… Doeram tanto (foi o exercício de isometria mais violento que já fiz) que de repente ficaram dormente, já não sentia mais dor mas sabia que o preço viria mais tarde e seria bem caro. As horas se arrastaram. Lembro que fui ao banheiro pelo menos umas 5 vezes e Halinna apenas comendo pequenas quantidades de mel.

Pela segunda vez a Halinna pede analgesia. Dessa vez sem as benesses da banheira o Dr não consegue dissuadi-la, entretanto com o poder de barganha chegamos a situação: tomar raquidiana e DEPOIS a ocitocina.

Como a Halinna não havia se alimentado e já estávamos na décima segunda hora de trabalho de parto a ocitocina realmente pareceu uma ideia sensata.

Daí o MIGUÉ aconteceu;

Halinna queria um momento de alívio das contrações, talvez assim ela pudesse comer e descansar. O Dr queria usar o pouco de força que restava na Halinna na hora do expulsivo. Então colocaram um “soro glicosado” para ela ter um pouco de força, mas adivinhem só, tinha ocitocina nesse soro. Então o descanso que a Halinna queria não veio, o que veio foi mais dor e mais cólica. Isso deixou ela bem brava. Ela havia chegado aos 9 cm de dilatação, colocamos ela sentada e daí as músicas começaram. Foi um álbum inteiro da Adele, arriou a bateria do celular da Yohanna, usamos o meu celular e o da Halinna depois.

Os médicos falaram sobre a vida. Esperaram, esperaram, trocaram cartões, falaram sobre experiências… e tempo passou!

Após uma hora e meia e minhas costas já em frangalhos e muito gritos da Halinna, com uma força de outro mundo (pois eu achava que ela estava exausta e meio adormecida), eu chorando a cada grito e a cada força e a cada empurrão a Aurora veio ao mundo!  Cortei o cordão umbilical sem chorar pois as lágrimas haviam secado, gastei tudo chorando enquanto a Aurora coroava.

Ufa! Finalmente acabou!

Só que não.

Fiquei ao lado da minha filha enquanto ela chorava e era medida, pesada, auscultada… tive a ideia de tatuar o pezinho da minha filha na minha panturrilha.

Meu celular após conectado a internet não parava de tocar, não queria falar com ninguém, queria apenas segurar minha filha. Enquanto isso todos ficavam em alvoroço esperando notícias da Aurora, o médico dava pontos em duas lacerações grau 2 que minha esposa teve e eu ajudava ela a posicionar a Aurora para mamar a primeira vez ali mesmo.

Agradeço a toda a equipe que escolhemos e a equipe da maternidade Brasília também nos dois dias que ficamos lá com nossa pequena.

Relato de Parto da Halinna AQUI

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