Relato de Parto da Beatriz Patzlaff – Nascimento da Olívia

Ainda fico sem acreditar no que aconteceu! Às vezes sinto como se tivesse apenas sonhado com essa nascimento da Olívia, mas não, ele foi bem real!

Já eram 05:00 quando acordei com uma sensação diferente, uma sensação muito mais emocional do que física. Abracei meu marido bem forte e disse que eu o amava. Não é algo que eu costumo fazer, então ele já ficou atento ao meu comportamento.

Há muitas noites já estava acordando com cólicas leves e seguia para o banho quente e assim o fiz novamente. Desconfiei que algo começava a ficar diferente, sentia leves contrações sem ritmo algum, espaçadas e que ora incomodavam ora não. Algo me dizia que o parto aconteceria nas próximas 24h, mas não levei muita fé e meu marido muito menos.

Comi e, em seguida, consegui voltar a dormir. Durante o sono, recordo que eventualmente acordava vocalizando com uma leve contração mas nada que me despertasse. Meu marido, que me observava, percebeu que as contrações continuavam sem ritmo e muito espaçadas.

Pouco antes das 10:00 amamentei minha filha e senti que as cólicas aumentaram, mas estavam suportáveis e até aí nada de novidade. Mas acredito que foi o ‘start’ para o trabalho de parto.

Entrei no banho com algumas contrações ainda sem ritmo e senti que poderia estar começando uma fase latente. Já passavam de 11:00 e pedi para meu esposo mandar uma mensagem para o grupo das doulas para deixá-las de sobreaviso, mas imaginando que só iria precisar da doula no finalzinho da tarde ou no cair da noite.

Demos banho na Laura para seguir para a casa da minha tia, onde provavelmente seria melhor de passar as horas no início do TP.

Comecei a perceber uma vontade de me pendurar nas coisas para aliviar as pernas e pelve. De repente senti que estava meio fora de mim, vocalizando de uma maneira bem típica de trabalho de parto avançado, mas como conseguia fazer as atividades do dia a dia normalmente não me preocupei.

Já íamos dar almoço pra Laura quando fui tentar descansar de 4 na cama, foi aí que senti uma contração absurdamente forte. Deitei e comecei a sentir vontade de fazer força. Tive um pico de dor absurda! Comecei a repetir sem parar que eu não ia aguentar ficar sentindo aquela dor, que queria tomar qualquer coisa que me fizesse parar de sentir dor, que eu era muito fraca…

Muita dor e de repente cessou completamente! Pedi para comer uma banana e fiquei ali sem conseguir levantar. Comi e continuei conversando com o esposo normalmente, enquanto ela arrumava nossa filha para que minha tia pudesse levá-la (cancelamos o plano de ir para casa da minha tia).

Outra contração absurdamente dolorida, meu marido me perguntando algo no meio da contração e eu urrando de dor comecei a falar um bocado de palavrões. Comecei a rolar para um lado e para outro como se estivesse arrumando o bebê na pelve.

Passou a contração, meu marido notou um sangramento muito discreto começando, falou com a doula e me avisou que a Adele havia sugerido para irmos pro hospital avaliar.

Naquele momento falei que não conseguia sair dali, não tinha força pra levantar. Respirei e finalmente levantei para sair de casa, dei 1 ou 2 passos e senti numa contração a bolsa estourar e a cabeça encaixar. Pensei “já era!”

Virei o corpo de volta para a cama e me apoiei ali, sentia vontade de ficar na ponta dos pés como se estive abrindo a pelve toda. Falei para meu marido: “segura que ela vai nascer!”

Impressionante como fiquei calma e sabia exatamente o que fazer. Uma conexão sobrenatural com meu corpo naquele momento. Fiz silêncio e respirei.

Mais uma contração, vontade de fazer força a cabeça saiu. Coloquei a mão e comecei a sentir o corpo dela girar lentamente ainda dentro de mim. Falei novamente com Alexandre: por favor segura mesmo que ela vai sair de uma vez. Mais uma contração e saiu cuspida!

Olhei por entre as pernas, Alexandre segurando e desenrolando o cordão do bracinho dela. Ele esperou eu pedir para me entrega-la.

Foi muito louco, intenso e perfeito!

Mandou um áudio de 2 segundos para o grupo de doulas avisando que não deu tempo e já tinha nascido!

Segurei-a nos braços e ela chorou muito alto e forte! Um alívio!

Quis saber o horário (12:23) e pedi ajuda para sentar na beira da cama pois o chão estava muito escorregadio. A cobri com uma mantinha e meu marido tirou a foto perfeita para aquele momento… estava extasiada e embriagada de ocitocina.

 

Olhei pra frente e vi minha outra menininha, Laura, 1 ano e 11 meses, que estava ali ao lado com os olhinhos vidrados, totalmente encantada com o que tinha acabado de ver.

Pari a placenta enquanto amamentava e logo chegou a equipe do Samu, que prestou um atendimento impecável e extremamente respeitoso. Seguimos de ambulância para o HRAN.

Desde o início quis um parto assim, sonhei, idealizei.. mas meu senso de responsabilidade sempre me levava ao ambiente hospitalar ou equipe com experiência em parto domiciliar.

Infelizmente nosso orçamento foi pro espaço e tudo deu muito errado ….

Ou não!

Deu tudo muito certo, melhor do que encomenda!

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Olívia chegou com exatamente 39 semanas, pesando 3.915kg, 53 cm de comprimento, com 35 cm de perímetro cefálico.

Períneo íntegro, pari em pé, neném nasceu nas mãos do pai e assistida pela irmã.

As doulas da Rede Ocitocina foram incríveis passando informações e tranquilidade para meu marido; mandaram as melhores energias para nós e Adele veio ao nosso encontro o mais rápido possível.

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