Não é ajuda

Não é ajuda. Saber as atividades dos filhos, se tem que ir no mercado, se precisa fazer almoço, se as crianças precisam de banho, nada disso é ajuda e numa parceria não é necessário que a mãe avise e peça, numa parceria ambas as partes são absolutamente capazes de identificar a necessidade e fazer o que precisa ser feito.

O termo “ajuda” tem dois grandes problemas, o primeiro é que quem ajuda está fazendo um favor para o outro e favor acontece conforme disponibilidade e a outra parte deve ser grata e feliz por ter recebido ajuda ainda que feita de forma incompleta e depois do necessário. No entanto, casa e filhos são deveres de ambos, a mãe quando dá banho não está fazendo um favor, assim como o pai que troca fralda também não. E o segundo grande problema do termo “ajuda” é que a carga mental continua integralmente com a outra parte que não pode descansar ou relaxar nem um segundo, pois tem que estar sempre atenta e alerta para garantir que o que precisa ser feito será.

Carga mental não é neurose (escutei outro dia desses que querer dividir carga mental era querer que o outro ficasse neurótico 🙄🙄🙄). A Carga mental acontece quando uma das outras partes apenas ajuda quando demandada, isso faz com que a parte demandante tenha que estar sempre em estado de alerta o que é realmente estressante. Vou dar um exemplo para quem não entende: eu estive na carreira gerencial por uns bons anos e quando decidi voltar para a técnica para poder Doular, um dos grandes alívios que tive foi mental, eu continuei executando um monte de atividades, continuei super ocupada, sei das minhas responsabilidades ninguém precisa me dizer o que fazer (com isso diminuo a carga mental da minha chefe), mas não preciso mais me preocupar com o que os outros precisam fazer e ficar demandando para que os projetos aconteçam e isso tirou umas 10 toneladas dos meus ombros.

O problema é que na maioria dos relacionamentos (eu recebo relatos diários, então falo com propriedade e para além da minha experiência pessoal), a mulher está na carreira gerencial e o homem culturalmente é o técnico Júnior sem pro atividade, que só faz o que é demandado, atrasa as entregas e ainda acha que está fazendo um grande favor.

Precisamos urgentemente mudar essa cultura e essa mudança começa quando abolimos o termo ajuda e passamos a falar em parceria ou sociedade que é disso que se trata o cotidiano numa relação saudável.

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