Maternidade no caminho do meio

Orgânicos, quarto montessoriano, nada de telas, abordagem calma e tranquila em todas as birras, Yoga, meditação, brincar com as crianças em tempo integral, horários certos… Saímos da pressão de crianças engomadas em roupas impecáveis e sem meleca para a pressão da maternidade perfeita, mas agora com um peso muito maior, não é pela aparência, mas pela plena saúde do seu filho.

Não me entendam mal, acho todas essas coisas fundamentais, mas aqui queria fazer um contraponto como profissional que trabalha com mulheres e como mãe. Tenho 3 filhos, cuido deles praticamente sozinha, trabalho, preciso lembrar de tudo, e no meio do caminho sempre tem um choro, uma birra ou uma disputa de brinquedos. Apesar de tudo que faço, no final do dia sempre me sentia horrível, no matter what, a sensação é de que absolutamente nada do que fazia era suficiente ou bom o bastante. E aí aquela passeada rápida nas redes sociais antes de dormir me faziam sentir ainda pior e absolutamente sozinha. 

Não faço parte do grupo das mães “fiz e não morreu”, mas também não faço parte do grupo das mães perfeitas seja as perfeitas nas evidências ou as perfeitas nas aparências sociais. Minhas filhas não são engomadas e nem meleca free, mas também não comem 100% saudável e muito menos são tela free. 

Percebi, então, que estou num caminho do meio, minha maternidade real inclui preocupação com as evidências, mas muitas vezes o cotidiano me afoga. Busco a alimentação saudável, mas me rendo ao chocolate para parar uma birra no meio da rua, converso, argumento, abraço, me disponibilizo, mas várias vezes depois de horas de birras, gritos e choros eu também grito e ameaço jogar fora algum brinquedo 😦 . Quando preciso organizar as mochilas, lanches, café da manhã etc e começam os inúmeros pedidos e discussões, eu mesma ligo o Netflix e coloco o desenho. 

Admiro demais as mães perfeitas das evidências, mas minha maternidade real está distante disso. Faço o meu melhor, na verdade faço meu possível. Isso não é uma desculpa para me justificar, mas sim uma Libertação do peso da perfeição. Não defendo doces para crianças, mas não me julgo mais por liberar aquele chocolate, não acho que crianças devam passar o dia na TV ou Tablet, mas não sofro mais por ter esses dispositivos como aliados para dar conta das minhas tarefas diárias.

 Precisamos sempre estudar o que é melhor para nossos filhos, nos revisar, tentar ajustar a rota quando o caos se instala, mas também precisamos nos acolher e entender que tá tudo bem que não somos perfeitas e que quanto mais sofrermos por isso, mais distante estaremos de onde queremos chegar. As mães perfeitas em sua maioria não têm filhos ou estão presas num sofrimento silencioso ou são uma imagem na rede social e tão somente…

 
E aí quando me sinto sozinha nesse caminho, me lembro de todas as mães reais que eu conheço e convivo e percebo que estou num barco lotado e que precisamos apenas nos apoiar e seguir. Quando olho meus filhos dormindo e relembro o dia sem focar na minha não perfeição vejo o quanto eles são maravilhosos e sim o quanto minha maternidade tem influência nisso. E por isso, falo a todas vocês, que também acreditam estar sozinhas nesse caminho do meio, você é a melhor mãe que seu filho pode ter e nesse barco estamos juntas. Ao invés de sofrer em silêncio, vamos nos dar as mãos e nos permitir errar e acertar e abraçar nossa maternidade real e possível. 

Ps: escrevi este texto em meio a birra da filha do meio, reclamação da mais velha e no final um cocô vazado em mim do bebê. A vida real não é uma foto do Instagram. 

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