Relato de Parto da Evelin – nascimento da Mariana

DPP: 2/1/2019
Nascimento: 4/1/2019
Local: Maternidade Brasília
Doula: Priscila Saldanha
Fotógrafa: Ana Karla Veloso
Obstetra: Luís Otávio
Enfermeira: Nathália Schettini

A dpp da Mariana era dia 2 de janeiro. Torci muito para que ela não nascesse entre o natal e o ano novo porque acho esse período muito ruim pra fazer aniversário kkkk.


Quando completamos 40 semanas, fiquei feliz por já terem passado as festividades mas a ansiedade começou a bater. Como queria um parto sem intervenções, fiquei com medo de chegar nas 42 semanas e ter que fazer algum tipo de indução com medicamentos. Por isso, buscamos formas de induzir naturalmente o parto com chá de canela, escalda pés, exercícios na bola de Pilates e tâmaras (nem sei se estava fazendo certo rs).


No dia 3 de janeiro no início da tarde fiz uma sessão de acupuntura e no finalzinho da noite comecei a sentir as primeiras contrações. Como já havia sentido outras contrações nas semanas anteriores fiquei achando que ainda estava em pródromos. Mesmo assim, fomos finalizar a mala da maternidade… faltavam poucas coisas. De toda forma, fui dormir sem acreditar que o dia de ver o rostinho da Mariana estava chegando.


Por volta das 22h comecei a sentir contrações com dor (diferente do que estava sentindo antes). Eu e meu marido resolvemos marcar e vimos que elas estavam com intervalos de 10 minutos, mais ou menos. Passei a noite toda entre cochilos e contrações. Durante a madrugada, como estava muito incomodada, resolvi tomar um banho. Depois do banho, lá pelas 3h da manhã marcamos novamente. Os intervalos eram de 9 minutos, mais ou menos. Nesse momento algumas das contrações estavam bem fortes e tomei um Buscopan duo pra ver se o que estava acontecendo era de verdade rs. Tentei dormir e acordei por volta das 5h30 pra marcar novamente já que o remédio não tinha feito efeito. Neste momento, as contrações estavam com intervalo de 6/7 minutos.


Às 7h levantei, tomei café e mandei mensagem no grupo das doulas contando sobre o que tinha acontecido até então. A Priscila, doula que escolhi pra me acompanhar, respondeu dizendo que tudo indicava uma fase latente com possibilidade de engrenar em breve. Pediu pra eu me alimentar e descansar, porque o dia poderia ser longo. Me lembro de pensar: meu Deus… Está acontecendo! O nosso dia chegou!


Durante a gestação, eu evitava pensar no dia do parto pra tentar não criar ansiedade. E agora eu ia viver o grande momento… Eu busquei me preparar para esta hora. Fiz exercícios durante a gestação, yoga no último mês, fisioterapia pélvica (com a querida Zu da Fisiomater) e participei de consultas, oficinas e rodas da Rede Ocitocina. Busquei muita informação na internet, prezando pela qualidade da informação. E meu marido, sempre consciente do papel dele, mergulhou nesse mundo comigo. Tudo isso me ajudou muito porque senti, no momento em que percebi que estava em trabalho de parto, que estava andando em um terreno já mapeado, apesar de não saber exatamente o que estava me esperando.


E o que me esperava era um furacão de sensações e emoções das quais eu não podia nem imaginar.


Por volta das 8h deitei e consegui dormir um pouco. Ao acordar mandamos mensagem para enfermeira que orientou continuar acompanhando o ritmo das contrações. Ela informou que estava de plantão no hospital, por isso, caso o trabalho de parto engrenasse antes dela ser liberada, ela mandaria outra enfermeira no lugar dela.


Lá pelas 9h30 o negócio engatou de vez. A partir daí eu não tive mais dúvida de que estava em trabalho de parto (a ficha demorou a cair kkkk). As contrações estavam cada vez mais dolorosas e com intervalos menores. Priscila me perguntou se eu estava conseguindo conversar durante as contrações e a resposta foi: “Eu acho que posso até conversar, mas dá vontade de bater na pessoa kkkk”


Perto das 11h eu já não olhava mais o celular porque as contrações estavam tomando minha concentração. Eu ia pro banho, deitava na cama, apoiava no sofá tentando amenizar as dores. Enquanto estava no banho, meu marido apertava meu quadril no intuito de amenizar a dor, ao mesmo tempo em que direcionava (com a boca, porque as mãos estavam ocupadas) a água do chuveirinho na minha lombar. Entre uma contração e outra olhei pra traz e vi essa cena. Ver o empenho dele foi incrível! Me emociono só de lembrar.


No meio dessa maratona, consegui almoçar fazendo paradas durante as contrações que ainda estavam com intervalos irregulares, mas as dores estavam cada vez mais fortes.


Às 13h eu já não aguentava mais as dores e pedi pro meu marido me levar pro hospital. Ele me disse que a enfermeira substitua (Nathália), a Priscila e Ana Karla já estavam chegando e perguntou se eu conseguia esperar. Eu disse que sim. Lembro de pensar que eu estaria segura com todo esse apoio, o que me acalmou um pouco.


Já nessa hora eu estava aérea e não consigo me lembrar com detalhes tudo o que aconteceu deste momento em diante. Bem-vinda, partolândia!
Às 14h30 o intervalo das contrações era de 3 minutos, foi quando a Priscila e a Ana Karla chegaram. Foi um alívio para mim e também para o meu marido que já estava começando a ficar desesperado, sem saber o que mais poderia fazer para me acalmar e amenizar as dores.


A Priscila me apoiou nas contrações seguintes, me massageando, amparando, orientando a respirar, vocalizar, receber a contração e mudar de posição conforme fosse mais confortável. Enquanto isso, Ana Karla, invisível, registrava todos os momentos sem deixar que sua presença fosse percebida. E assim seguimos até umas 15h30, quando Nathália chegou e fez um toque para avaliar a situação. O veredito? Estava entre 7 e 8 cm de dilatação! Perguntei pra ela se daria tempo de chegar no hospital e calmamente ela me respondeu: “Dá sim! E se não der, não se preocupe, já fiz vários partos”.


Oi? Será que Mariana vai nascer no caminho da maternidade? É muita coisa pra administrar!!!


Todo mundo juntou as coisas e corremos para a maternidade. Corremos é modo de dizer, porque moramos no terceiro andar de um prédio sem elevador. Até chegar no térreo, foram mais 3 contrações e vários minutos parada na escada. Até chegar no carro mais uma, com as vizinhas sentadas no pilotis assistindo àquilo tudo e emitindo comentários que eu não lembro do que se tratavam.


Dentro do carro foi um verdadeiro Deus nos acuda! Fomos os 5 juntos e meu marido dirigindo leeeeentamente. Em cada quebra-mola eu xingava um tanto. Priscila disse pro meu marido: é melhor você dirigir mais rápido… ela vai te xingar de qualquer forma mesmo! E foi o que ele fez… dirigiu como se a esposa dele fosse parir dentro do carro! Mas a verdade é que nunca fiz uma viagem de carro tão longa.


Chegamos à Maternidade Brasília junto com Dr Luís. Enquanto meu marido estacionava e as meninas pegavam autorização para entrar, eu e Dr. Luís descemos direto para sala de parto humanizado, parando pra sentir algumas contrações. A cada parada ele apertava meu quadril pra amenizar a dor.


A partolândia me levou para longe e não me lembro de muitos detalhes até entrarmos na fase do expulsivo.


Durante o trabalho de parto me livrei de vários pudores… nunca imaginei que fosse berrar tanto e não ter vergonha de ficar completamente nua. Essas eram preocupações que eu tinha quando pensava no dia do parto, mas naquele momento isso não tinha a menor importância!


Lembro de olhar para o relógio na sala de parto que marcava 16h25. Um pouco depois, entrei na banheira e por lá eu fiquei um bom tempo… Pedi por analgesia algumas vezes e como a Priscila sabia que não queria essa intervenção, ela me convenceu do contrário, sempre me dando palavras de apoio e me dizendo que faltava muito pouco pra eu ver Mariana.


Na banheira, apesar de ser mais confortável, as contrações diminuíram e o trabalho de parto não evoluía. Assim, a equipe sugeriu que eu ficasse em uma posição mais verticalizada. Demorou um pouco pra eu tomar coragem e sair da banheira, mas eu sabia que precisava fazer isso.


Ao sair da banheira fiquei um pouco em pé, me pendurei no tecido, abracei meu marido e em seguida fui pra banqueta. Dr. Luís fez um toque e Mariana ainda estava alta… eu já sentia vontade de fazer força. Ouvi alguém falar algo sobre a bolsa não ter rompido ainda… Pensei: talvez se ela estourasse, Mariana viria mais rápido. Fiquei aflita mas determinada a parir minha filha do jeito que eu imaginei. Na contração seguinte, fiz uma força gigantesca e a bolsa estourou!


Magno estava sentado atrás de mim me apoiando e me dando força. Priscila o substituiu para que ele se posicionasse na minha frente para receber a Mariana quando ela chegasse. Nathália e Dr. Luís também estavam na minha frente. Ana Karla estava invisível em algum lugar rs. A pediatra também estava na sala. Todos aguardando a nossa filha chegar.
A partir daí foram algumas contrações e algumas forças e a cabeça da Mariana apareceu. Impressionante como nesse momento eu estava lúcida e empoderada! Lembro até de fazer piada da situação dizendo que realmente a dor era a de cagar um côco!


Mais outras contrações e Mariana nasceu, às 19h49, amparada pelo pai, envolta na membrana da bolsa. Parto natural, períneo íntegro.


Ela veio para o meu colo e ficamos olhando, apaixonados pelo serzinho que havia acabado de enfrentar aquilo tudo bravamente!


O ambiente estava calmo, cheio de amor, carinho e respeito e tudo correu maravilhosamente bem. A emoção que senti é indescritível! TUDO valeu a pena!


Minha filha não poderia ter melhor recepção nesse mundo! Bem-vinda, Mariana!

Agradeço a todos os que fizeram parte desse momento. Cada um de vocês foi fundamental para que o parto da Mariana fosse especial. Nunca vou esquecer as emoções que vivi e os olhares e palavras de apoio que recebi de todas as pessoas que estiveram ao meu lado…


Agradeço ao Magno por ser tão companheiro, parceiro e pai! Obrigada por se preparar tanto para viver esse momento. Tudo valeu a pena e você foi espetacular. Amo você!

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