Relato de parto Evelin – nascimento da Mariana – versão do pai Magno

Chegamos às 40 semanas em 02 de janeiro de 2019 e como estávamos com receio de ter que haver indução química para iniciar o trabalho de parto, já começamos com indução natural: chá de canela e escalda pés. No dia seguinte minha esposa, Evelin, marcou uma sessão de acupuntura para indução de parto na hora do almoço, ainda assim fez as outras induções naturais no início da noite. Eu estava bem incrédulo que o parto seria antes das 41 semanas. Mas lá para as 22h, pá: começaram as contrações irregulares com intervalos de 15 min em média. Eu sabia que era o início de uma fase latente, porque já fazia umas 2 semanas que minha esposa estava com características de pródromos. Li na internet que a fase latente pode durar MUITAS horas. Então nem me preocupei tanto e achava que a Mariana nasceria no sábado, no mínimo.

Bem, a Evelin me acordou umas 2 vezes durante a madrugada para contar as contrações, no meio disso ainda baixamos uns 3 aplicativos de contar contrações porque não conseguíamos entender direito como funcionava, alguns aplicativos falavam: hora de ir para a maternidade. Claro que não acreditamos e seguimos a noite dormindo e contando contração. O resumo da noite foi: contrações irregulares com intervalo médio de 10 min. Ok, ainda assim achei que iria demorar bastante e depois dela me acordar essas duas vezes eu voltei a dormir pesado. Rs

No dia seguinte acordei cedo no horário normal de ir trabalhar e ainda conversei com minha esposa se eu iria ou não, afinal eu odeio pagar horas negativas. Mas…. Decidimos que eu ficaria, mais por precaução, porque nós dois estávamos achando que não iria engrenar na fase ativa tão cedo. Ledo engano, a partir das 10h da manhã o negócio começou a engrenar. A contrações estavam em 7 min de intervalo, no final da manhã já estava com 5 min de intervalo e durante a manhã toda eu tive que ficar numa correria de marcar contração, apertar o quadril da minha esposa e molhar as costas da minha mulher quando ela estava no chuveiro.

Demos uma pausa do chuveiro para podermos almoçar, mas a Evelin deve ter tido o almoço mais longo da vida dela, porque ela parava a cada 5 min para sentir uma contração. Depois voltamos, ficamos intercalando entre ficar na sala e no chuveiro e a cada contração dela me batia um desespero. O app mostrava que cada vez mais o tempo das contrações diminuía e a Evelin gemia mais forte e ela começou a chorar e dizer que não daria mais conta. Só pelo gemido dava para sentir a dor dela. A partir daí eu pedi (quase implorei) para Priscila, doula da Rede Ocitocina, vir nos ajudar.

A Priscila chegou em torno de uma hora depois, junto com ela chegou a fotógrafa de parto e doula da Rede Ocitocina, Ana Karla. O intervalo entre eu chamá-las e elas chegarem pareceu uma eternidade e também passou voando. Pouco antes delas chegarem aqui em casa as contrações marcavam 3 minutos e meio de intervalo em média. Eu já estava pensando: FUDEU, estamos no ativo e a Mariana vai nascer aqui em casa. Desespero total!!! Quando as meninas chegaram, me deu vontade de chorar de alívio porque a ajuda chegou. A Priscila assumiu a assistência e eu cuidei apenas dar apoio para Evelin segurando a mão dela, dando palavras de apoio e fazendo carinho. Aí ficou muito mais tranquilo!!! (para mim né)

Mais uns 30 min e a enfermeira obstetra Natália da Lumiérè, equipe do nosso obstetra Dr. Luis Otávio, chegou e na seguida fez um toque e voilá: ela disse que estava entre 7 e 8 cm de dilatação. A partir daí começou toda a correria para irmos para maternidade, eu peguei as tranqueiras que já estavam prontas para levar e depois de algumas contrações começamos a sair de casa. Casa é modo de falar, moramos numa apertamento no 3º andar sem elevador. Já pensou o que é descer as escadas com contrações de menos de 3 min de intervalo? Então, foram 3 paradas doloridas só na escada e mais uma na hora de entrar no carro. Ahhh o carro até a maternidade foi outra aventura Rs.

Assim que entramos todos nós, 5 pessoas, no mesmo carro a Priscila me falou para ir devagar nas curvas e nos quebra-molas. Eu fui tão devagar que o carro trepidava kkkk e minha mulher me xingou umas duas vezes até que a Priscila me falou: Magno, vai na velocidade normal que ela vai te xingar de qualquer jeito. Lá fui eu, dirigindo “normalmente” rápido kkkk.

Chegamos na Maternidade Brasília, o Dr. Luís chegou junto conosco e fomos para a sala de parto humanizado, depois cada um foi cuidar da sua parte (eu fui estacionar o carro, o Dr. Luís cuidou dos trâmites e as meninas o cadastro para entrar). Chegando lá minha esposa ainda lembrou de pedir para tirar a luz verde, ela não queria ficar parecendo o Hulk nas fotos kkkk

Na sala de parto, O Dr. Luís fez um toque e disse que ela estava de 8 cm de dilatação e estava -1 de altura (não me pergunte o que é isso rs). Na seguida ela entrou na banheira e ficou um bom tempo lá. As contrações diminuíram mas pareceu que ficaram bem mais doloridas. O Dr Luís fez outro toque e estava nos mesmo 8cm e com 0 de altura e com bolsa íntegra. A Evelin estava incrédula e achando que iria demorar uma eternidade ou que não daria conta. Mas, lá pras tantas a equipe conseguiu convencer a minha esposa a sair da banheira para o trabalho de parto engrenar novamente e foi batata! Ela saiu e as contrações engrenaram de vez. Ela testou algumas posições, até que sentou na banqueta. Na banqueta ela fez uma força descomunal e bum: a bolsa estourou!

Depois que a bolsa estourou as coisas andaram num ritmo alucinante, cada contração que ela sentia vontade de fazer força. Da hora que ela saiu da banheira até nascer não deve ter passado nem 1 hora e meia (pelo menos na minha cabeça). Mas vamos voltar as coisas para a ordem. Eu estava sentado numa escada de dois degraus atrás da minha esposa, que estava na banqueta, dando apoio para as costas dela e tentando dar apoio emocional dizendo a ela que faltava pouco e que ela daria conta. Mas internamente rolando um mini desespero porque não nascia, rs.

Logo depois e enfermeira Natália e o Dr. Luís começaram a dizer que ia nascer e o Dr. Luís me chamou que eu ir para frente da minha mulher para aparar a minha filha ao nascer. Minha reação instantânea foi dizer não! Rs Afinal, passei a gestação inteira dizendo a minha esposa que eu iria apoiar ela sempre, mas que eu não iria ficar lá de “cara pro gol” KKKKK. Mas, o Dr. Luís me chamou e eu dei a desculpa que estava com medo de deixar a Mariana cair, ele e a enfermeira disseram que iriam me ajudar e que isso não ia acontecer. A equipe toda estava me dando palavras de apoio para eu ir. Eu fui, mas na verdade eu só fui porque estava sem graça de recusar. Mas antes de ir eu perguntei se já estava quase saindo. O Dr. Luís disse que sim e eu achei que então já estava coroando né… De novo, ledo engano! Kkkkk

Quando eu cheguei lá na frente de minha esposa, sentei no chão e olhei para frente, sabe como estava? Piriquita inchada, estranha, fechada e com a Mariana lá dentro. A Evelin fez uma força daquelas, o Dr. Luíz ao meu lado falando que estava quase e eu pensando: quase o quê? Depois da primeira força da Evelin eu já queria desistir de ficar lá de “cara pro gol”, mas e a coragem de falar para equipe que eu não queira ver minha filha nascer… Bem, para mim foi uma pequena eternidade até começar a aparecer alguma coisa e eu conseguir entender que era a cabeça da minha filha. Mais uma eternidade de agonia vendo a Evelin fazendo força e a Mariana coroou. Para ter uma noção de tempo, desde que eu fui lá para frente e ela coroou, a eternidade durou uns 10 minutos. Nessa hora eu pensei: FUDEU, não tem como um bebê passar inteiro ali. Foi uma mistura descrença com devoção. Não conseguia acreditar que um bebê INTEIRO iria sair por ali e, ao mesmo tempo, estava maravilhado com a natureza por que um bebê inteiro iria sair dali. Rs

A agonia de ficar lá vendo tudo acontecendo não tinha passado ainda. Acho que até hoje não passou kkkk Depois a Evelin deve ter feito mais umas forças e a cabeça começou a sair lentamente e só aparecia cabeça, cabelo e parte da bolsa. Daí veio mais um dos pensamentos curiosos: cadê o rosto da minha filha? No exato momento que pensei o Dr. Luís me chamou e mostrou o rosto e um jato de líquido amniótico saindo de cada narina da Mariana, me explicou também que aquilo tirava o líquido do pulmão e das vias aéreas. Para um pai que não está entendendo nada explico: a cabeça começa a sair com o rosto virado para baixo, ou em minhas palavras: virado pro rêgo. Quando termina de sair o corpo gira e o rosto do bebê fica de lado. O Dr. Luís me disse que iria apenas apoiar a cabeça da Mariana para não ficar pendurada enquanto não saia todo o corpo, nesse momento a minha paixão ganhou forma. Era o rostinho da Mariana que eu conseguia ver, ela era linda mesmo espremendo o rosto porque ela também fez força para nascer.

A partir daí minha atenção era para a Mariana e não vi como, depois de umas duas forças da Evelin, o corpo da minha filha saiu pela piriquita. Quando saiu a equipe me auxiliou direcionando-a para eu aparar a minha pequena e tê-la em minhas mãos ao nascer. Ela veio meio molinha e escorregadia. Eu pedi ajuda para entregarem a Mariana para a mãe e só fiquei concentrado olhando o corpinho dela mole. Na hora fiquei instantaneamente preocupado, mas o pai aqui que se achava super preparado não sabia que bebês nascem meio moles. No instante que a Evelin a colocou nos braços, a Mariana se mexeu e trouxe calma para o meu coração. Assim que me levantei para ficar ao lado das minhas mulheres, a tensão deu lugar à emoção e minha alegria virou lágrimas, beijos na minha guerreira esposa e carinhos na minha filhota.

Quando o cordão parou de pulsar, me ofereceram para cortar o cordão umbilical. Antes do parto eu também não queria cortar o cordão. Mas como dizem: o que é um peido para quem está cagado! KKKK Cortei numa única forte e lenta tesourada. Acompanhei a minha pequena nos primeiros cuidados e assumi o papel de cão feroz, perguntava para a pediatra e para as enfermeiras tudo o que elas iam fazer para ver se estava de acordo com as condutas que preferíamos e tínhamos colocado no plano de parto. Depois a Mariana voltou para os braços da mãe enquanto terminavam os procedimentos do pós-parto (injeção de ocitocina, expulsão da placenta, ver se teve laceração). Recebemos a notícia boa que não teve nenhuma laceração. Em seguida fomos para a sala de recuperação e a Mariana já mamou lá.

No quarto ficamos horas conversando sobre o parto e olhando a nossa pequena, quase não dormimos essa noite. Coisa que eu não recomendo, porque na noite seguinte a Mariana estava esperta, acordou várias vezes, além das visitas noturnas das enfermeiras que atrapalhou o nosso sono. Acho que até hoje não recuperei o sono da primeira noite.

Agradeço aos que me encorajaram para ser um pai ativo e participativo desde a gestação. Brigadão @homempaterno @redeocitocina @lumiereparto em especial a minha resiliente e fodona companheira.

2 comentários sobre “Relato de parto Evelin – nascimento da Mariana – versão do pai Magno

  1. Luís Otavio disse:

    😭😭😭😭😭
    Chorei horrores lendo isso 😱😱😱😱
    Vocês são incríveis, um dos relatos mais lindos que já li! Vocês não imaginam o orgulho imenso que foi participar desse momento e ver pessoas especiais como vocês tão ligados e envolvidos em um momento tão lindo! Meu muito obrigado pela oportunidade que deram a todos nós por poder presenciar esse momento !! Sejam muito felizes !

    Curtido por 1 pessoa

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