Lactogestação E Amamentação em Tandem

É totalmente possível seguir amamentando durante uma nova gravidez saudável. Como gerar uma vida e nutrir outra vida são dois processos que exigem demasiadamente do corpo da mulher, cabe somente a ela decidir sobre continuar ou não amamentando.

Qual é o limite do seu corpo? Você consegue descansar? Você se alimenta bem e se mantém hidratada? É importante não ultrapassar seu limite físico e emocional.

 

MINHA ESCOLHA

Ter filhos em idades próximas sempre esteve em meus planos. Já sabia que muito provavelmente iria gestar enquanto ainda amamentava. E assim como desejava, pouco antes da minha primogênita completar 1 ano e 3 meses, estava novamente grávida!

A amamentação sempre foi um grande desafio para mim e topei seguir amamentando enquanto pudesse. Meu maior medo foi que minha filha mais velha desmamasse. Já havia lido inúmeros relatos que o desmame ocorreu por causa da inevitável mudança de quantidade e sabor do leite decorrente das alterações hormonais da nova gravidez.

Eu sabia que seria perfeitamente possível amamentar um bebê enquanto gestava outro em uma gravidez saudável. Entretanto, com poucas semanas de gestação tive um pequeno sangramento. A ultrassonografia mostrou um embrião com batimentos normais, porém com um pequeno hematoma.

Na primeira gestação também tive esse mesmo hematoma, porém bem maior, motivo pelo qual senti-me mais fortalecida na minha decisão de seguir amamentando. Estava consciente do risco de aborto e que este existe, sobretudo no primeiro trimestre, até mesmo nas gestações de quem não amamenta. Pensei em todas as possibilidades: (a) não desmamar e perder o bebê, me sentiria culpada pela perda; (b) desmamar e a gestação vingar, me sentiria culpada pelo desmame abrupto; (c) desmamar abruptamente e sofrer aborto, me sentiria duplamente culpada.

Ponderei muito! Definitivamente não estava disposta a ser duplamente culpada. Lutei tanto para amamentar minha primogênita e desmama-la de maneira abrupta seria absolutamente incoerente com tudo o que eu acreditava. Eu tinha uma chance de dar tudo certo, eu tinha apoio de quem me cercava, eu estava munida de informações de qualidade e enfim tomei minha decisão!

Não havia nenhum outro sinal no meu corpo depois que eu amamentava. Com 12 semanas repeti o exame de ultrassonografia e não existia mais o hematoma.

 

LACTOGESTAÇÃO

lactogestac3a7c3a3o-bia-e-laura-1 Logo nas primeiras semanas da nova gravidez comecei a ter sensibilidade nos mamilos. Durante a sucção podia sentir os dentes do bebê roçando na aréola e sentia uma enorme gastura. Uma grande aflição tomava conta de mim, era uma vontade de gritar com uma necessidade de sair correndo dali! Já havia lido sobre perturbação na amamentação, que pode ocorrer com qualquer mulher que amamenta e em qualquer fase da amamentação, sobretudo mães que amamentam grávidas!

Eu estava sentindo na pele o que era essa tal perturbação! Entender o que estava acontecendo comigo foi imprescindível para que não me culpasse e para que pudesse adotar algumas medidas afim de tornar menos penosa a amamentação dali por diante.

As medidas que funcionaram para nós num primeiro momento basicamente eram amamentar sentada e trocar de seio toda vez que começasse a sentir incômodo. Com o avançar da gestação e também com o crescimento da minha filha (com um bebê maior o diálogo e entendimento melhoram) foi possível começarmos a negociar o tempo da mamadas ou até a ´mamãe terminar de cantar a musiquinha´ ou ´contar até 10´. Nem sempre funcionava, mas com amor e compreensão de ambas as partes íamos nos reinventando e dando o nosso jeitinho.

Ela raramente pedia para mamar durante a noite, então optei pelo desmame noturno uma vez que ela não sentiria tanto e o papai poderia acolhe-la durante as noites. Quando Laura completou 1 ano e meio, comprei um livro infantil chamado ´Mamar quando o sol raiar´ e de maneira bem lúdica ela foi entendendo que poderia mamar quando fosse dia e descansar durante a noite.

Por volta das 16 semanas sentia que o leite havia secado. Achei que Laura se desinteressaria por mamar, mas ela continuou mamando mesmo assim. Como ela já se alimentava bem, não precisamos introduzir outro leite, mas continuei deixando ela mamar pois percebia sua necessidade de sucção e quem sabe até ela conseguisse tirar umas gotículas dali.

Com 27 semanas o colostro começou a dar as caras, ela simplesmente amou a nova composição do leite e voltou a mamar como se não houvesse o amanhã. Aqui faço uma pausa para dizer que li dezenas de relatos que o bebê se desinteressava por mamar pois o colostro é amargo, diferentemente do leite materno. Não foi o nosso caso!

Regredimos! Eu não queria que ela desmamasse, mas também não queria que ela voltasse a mamar como uma recém-nascida! Em breve eu teria uma recém-nascida de verdade! Surtei, chorei, me culpei! Não queria mais amamentar, não queria mais gestar! Queria sumir, não queria mais ser mãe! Como poderia suportar aquilo?

Tive apoio incondicional do meu marido que me relembrou do porquê eu estava ali, dos motivos das minhas (nossas) decisões e se propôs a me auxiliar fosse novamente com adequações para seguirmos com a amamentação, fosse para o desmame. Tive apoio da minha família que tentava me auxiliar com a primogênita permitindo que ela não ficasse tão sozinha comigo. E dividir minha história com outras mulheres me permitiu amenizar o cansaço e me fortalecer para seguir. Respirei, foquei, tomei novamente a decisão de seguir pois era muito importante para mim.

Das pessoas da rua ouvi dizer que teria um aborto, que teria um parto prematuro, que teria um bebê desnutrido e várias outras crendices sem embasamento algum!

Pari com exatas 39 semanas, uma bebezona de 3.915 kg e 53 cm. Vencemos a etapa da lactogestação. Mas e agora, como seria com a amamentação em tandem?

 

AMAMENTAÇÃO EM TANDEM

Durante todo o processo gestacional vim conversando com minha filha que outro bebê chegaria, que ela dividiria o peito com a irmã e que esta demandaria mais atenção, mesmo assim ela seria igualmente amada e que poderia mamar depois da recém-nascida.

Os dois primeiros dias Olívia mamou sozinha, por motivos da mais velha não poder entrar no hospital. Depois da apojadura, foi maravilhoso poder contar com Laura para evitar os desconfortos da descida do leite, afinal a menor ainda estava aprendendo a mamar.

Tandem BiaAo meu ver amamentar as duas juntas contribuiu para que não houvesse grandes crises de ciúmes, muito pelo contrário, elas se uniram e puderam compartilhar juntar do mesmo amor da mamãe materializado em forma líquida: o leite materno

Foi difícil? Sim! Toda mudança exige uma adaptação. Mas foi bem mais fácil do que eu imaginava e do que havia sido durante a gestação. A perturbação não foi embora, ela ainda existe com a mais velha mamando e, por isso, evito colocar as duas meninas para mamar juntas por muito tempo. Deixo Olívia mamar primeiro e depois a irmã.

E vamos vivendo um dia de cada vez…

Olívia em livre demanda já fez 7 meses e está crescendo e se desenvolvendo lindamente! Laura, com 2 anos e meio, mama ao acordar e em determinados momentos que negociamos durante o dia, sente-se segura, amada e com as necessidades respeitadas. Aos poucos, com muita paciência e carinho, seguimos para um desmame gentil da mais velha.

Foi tudo muito intenso e, apesar de ter pensado em desistir inúmeras vezes, superamos! Se faria tudo de novo? Com certeza faria tudo igual!

Deixo meu relato para encorajar mulheres que optaram por amamentar grávidas e minha eterna gratidão à todas as mulheres que dividiram comigo suas histórias inspiradoras. Juntas somos mais fortes!

 

4 comentários sobre “Lactogestação E Amamentação em Tandem

  1. Ana Serique disse:

    Estou com 8 semanas de gestação e minha filha com 1 ano e 3 meses. Por algum motivo ela passou a mamar mais e ficar mais plugada desde que descobri a gravidez. Não sei se já sente algo diferente no ar ou se está em pico/salto. Só sei que entendo completamente o que é essa perturbação ao amamentar!! Que gastuuuura! Parece que sinto todas as serrinhas dos dentes e dá vontade de sair correndo. Mas tadinha! Tudo isso faz parte! Tb não quero interromper a amamentação. Apesar do cansaço estar triplicado, sei que ainda é importantíssimo para a mais velha! Realmente a parte do apoio da família e marido é fundamental!

    Obrigadíssima pelo depoimento e pelas dicas!! Que cada dia seja uma vitória!

    Curtido por 1 pessoa

    • BEATRIZ FRENEDA PATZLAFF disse:

      Tive essa mesma sensação de que a mais velha passou a mamar mais, como se sentisse tudo o que estava acontecendo. Cada dia é mesmo uma vitória!
      Desejo que esse caminho de vocês seja o mais leve possível!

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